• César Steffen

Vamos no remoto até 2021?


Foto: Ali Yahya/Unsplash

No último dia 6 de outubro o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou resolução que permite às escolas manter as atividades remotas até 2021. O parecer, que ainda precisa ser homologado pelo ministro da Educação, sugere que não seja dada falta aos alunos nem que haja reprovações no atual ano letivo, sugerindo também que os anos de 2020 e 2021 sejam considerados como um ano só.


Bem, temos aí um sinal do que esperar para os próximos meses. Alguns testes e experiências com volta de ensino presencial já mostram riscos com a covid-19, e vários especialistas indicam que talvez ainda não seja o momento de retornar às atividades normais.


Muitas escolas estão voltando timidamente, com poucas atividades e carga horária reduzida. Pelo que sei, menos em função de aula e conteúdo, e mais para ensaiar, verificar problemas e treinar os alunos para o que, se espera, seja a realidade das aulas presenciais no ano que vem: salas com menos alunos e aulas em dias alternados. O 'novo normal' da educação.


No ensino superior isso se repete, mas de forma diferente. Fiquei sabendo, por colegas de pelo menos três IES, que estão sendo planejados os seguintes formatos para 2021:


  • Totalmente remoto, como é hoje, com todas as aulas e atividades em ambiente e aulas síncronas;

  • Remoto e EAD, com aulas síncronas como hoje, mas também com material e aulas gravadas (o que, penso, podemos considerar um novo tipo de híbrido);

  • Híbrido, com uma aula inicial presencial e as demais síncronas;

  • Híbrido, com aulas remotas, mas com as avaliações presenciais.


Remoto por mais tempo


Até agora trata-se de um processo em discussão. O interessante é que as conversas com os colegas mostram ceticismo em relação à volta do presencial.


A impressão de todos é que este período de remoto em 2020 fez os alunos conhecerem e se adaptarem à EAD − e não se sabe se estarão dispostos ao risco de aglomerações. Muitos até já falam que gostaram e talvez prefiram permanecer dessa forma, pelo conforto, pela comodidade, pelo tempo economizado e mais.


Além disso, as planilhas de custos das IES andam de tal forma apertadas que misturar turmas e ter horários alternados, no presencial, talvez não seja uma alternativa viável, pelo menos não já em 2021. E talvez surja daí mais um motivo para manter o modelo remoto por mais tempo.


Até mesmo os professores notaram vantagens, como menos tempo no trânsito e menos despesas com combustível, mais liberdade de formatos, mais recursos didáticos. E, mesmo com a falta de capacitação, já se sentem à vontade para seguir.


Os próximos meses trarão a resposta. Mas, como já coloquei antes, 2020 será ainda declarado o ano da EAD, e seus reflexos nos acompanharão ainda por muito tempo.


* * *

César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco
  • Branca Ícone Instagram

© 2020 por Educa 2022. Os textos do portal Educa 2022 podem ser reproduzidos, desde que citada a fonte "Educa 2022".