• Demétrio Weber

Universitários estudam menos na pandemia



Os universitários estão estudando menos durante a pandemia de covid-19. Levantamento do Pravaler, empresa de crédito estudantil que tem o Banco Itaú entre seus principais acionistas, traçou um panorama do comportamento do estudante de ensino superior presencial neste período de aulas remotas. Dos 955 alunos entrevistados em todas as regiões do país, 61% afirmaram dedicar ao curso não mais do que oito horas semanais. Esse percentual sobe para 82%, se considerado o teto de 17 horas por semana.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28), por videoconferência, pelo economista Rafael Baddini, sócio-diretor de estratégia de negócio do Pravaler. "A dedicação ao estudo caiu pela metade", disse Baddini, tomando como referência a carga horária padrão de 20 horas-aula por semana, no ensino superior presencial.

Participaram do levantamento exclusivamente estudantes de instituições privadas. Baddini observou que o menor tempo dedicado aos estudos está associado ao impacto da pandemia na rotina dos universitários.


"Mais uma vez reforçamos que o cenário da pandemia não é igual ao que se tem da modalidade de educação a distância", pontuou ele. "Imagina o quanto é difícil não ter um local adequado para estudar, organizar a rotina dos filhos em casa e ainda ter que se dedicar a um trabalho remoto para aqueles que estudam e trabalham. É complicado conciliar tudo isso e continuar com o mesmo ritmo de estudos."



O levantamento retrata a percepção dos estudantes em relação ao ensino remoto. Três em cada quatro entrevistados − 76% deles − contaram que nunca haviam estudado por ensino remoto antes da pandemia.

A qualidade das aulas no novo formato dividiu opiniões, com ligeira vantagem para quem considera que houve piora: 53% disseram que a universidade não conseguiu manter a qualidade no ensino remoto, enquanto 47% afirmaram que sim.

Indagados sobre o modelo preferido, 72% assinalaram as aulas 100% presenciais, ante 22,5% que indicaram o modelo híbrido e 5,4% que disseram preferir aulas 100% a distância.

Baddini ressalvou que o ensino remoto adotado na pandemia não é necessariamente o mesmo da educação a distância (EAD) e que as instituições tiveram que se adaptar às pressas. A surpresa, segundo ele, foi a parcela de quase um quarto dos estudantes com preferência pelo modelo híbrido.


“Para um futuro próximo, devemos ver a consolidação da ‘mistura’ entre presencial e remoto, conhecido como ensino híbrido. Ele mescla aulas remotas, com conteúdo de qualidade, e atividades práticas e em grupo, presenciais, garantindo a convivência dos alunos, mas ainda mantendo os benefícios da tecnologia. É como um trabalho remoto, com idas periódicas ao escritório para reunir todo o time”, disse o sócio-diretor.

Entre os aspectos negativos do ensino remoto, 43% responderam que o maior problema é a falta de contato com colegas e professores; 33% apontaram a ausência de local adequado para estudar, com internet e computador; 31%, a falta de disciplina para estudar a distância; e 26% se queixaram das plataformas digitais utilizadas pelas instituições de ensino.

"A ausência do contato social com outros alunos e professores faz muita falta, ainda mais levando em consideração todas as restrições de convívio social da quarentena", disse Baddini.

Otimismo


O levantamento foi feito por e-mail, entre os dias 9 e 16 de junho, com estudantes majoritariamente na faixa dos 18 aos 28 anos, sendo 55% mulheres e 45% homens.

Indagados sobre o que poderia ser feito para melhorar o ensino remoto, 28% indicaram ações na parte didática: capacitação dos professores, metodologia de ensino, mais materiais de apoio e maior interatividade e dinamismo nas aulas.

O lado positivo do ensino remoto, segundo os entrevistados, é que sobra mais tempo para ficar com a família (37%), é possível estudar em qualquer lugar (35%), os horários são flexíveis (31%) e o valor da mensalidade é menor (22%).

O levantamento mostrou que 75% dos universitários entrevistados pretendem renovar a matrícula no próximo semestre, enquanto 19% estão em dúvida e 6% decidiram parar de estudar.

"Os alunos estão otimistas e querem continuar com os estudos", disse Baddini. "Ninguém perdeu a confiança de que o ensino superior pode mudar a vida."


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A entrevista coletiva de apresentação dos resultados da pesquisa 'O comportamento do aluno do ensino superior presencial durante a pandemia' foi feita por videoconferência e incluiu o envio de um café da manhã à residência dos participantes. O Educa 2022 foi contemplado e agradece a cortesia.

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