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UnB aprova cotas na pós-graduação



A Universidade de Brasília (UnB) deu, no último dia 4 de junho, importante passo para democratizar o acesso à pós-graduação. Em votação histórica, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da instituição aprovou, por unanimidade, uma política de ação afirmativa para ampliar o acesso de negros, indígenas e quilombolas a cursos de mestrado e doutorado.


De acordo com a resolução, serão destinados 20% das vagas de cada edital para candidatos negros. Para indígenas e quilombolas, será criada ao menos uma vaga adicional, para cada um dos perfis, em todas as seleções dos programas de pós-graduação stricto sensu. As regras passam a valer para ingressos a partir do primeiro semestre de 2021.


Para concorrer, os candidatos terão de preencher uma autodeclaração no momento da inscrição. Depois, durante a seleção, serão entrevistados por comissão de heteroidentificação. A comissão será institucional, formada a partir do Decanato de Pós-Graduação (DPG). O DPG também fará um modelo de edital, que será disponibilizado aos programas de pós-graduação.

Pioneira

"A Universidade de Brasília, que foi pioneira no país no estabelecimento de cotas raciais para a graduação, agora, finalmente, avança na pós-graduação", comemorou o vice-reitor Enrique Huelva, em referência à política de ação afirmativa estabelecida na instituição também pelo Cepe, em junho de 2003. "E o mais importante: essa política foi construída com amplo debate e envolvimento de toda comunidade universitária", acrescentou.


A decana de Pós-Graduação, Adalene Moreira, agradeceu o trabalho da comissão que elaborou a minuta de resolução. "Sinto muito orgulho de fazer parte da UnB neste momento histórico, que vem fortalecer a nossa vocação", disse ela.


A UnB começou a debater o estabelecimento de uma política de cotas para a pós-graduação em 2018. A primeira comissão contava com a participação dos professores Joaze Bernardino, Bergmann Ribeiro e Renisia Filice. O grupo foi reconstituído no ano passado. A proposta de resolução foi apresentada à Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação (CPP) em fevereiro e ficou sob consulta dos programas até abril. Com a incorporação das sugestões, o texto foi aprovado pela CPP naquele mês.


O professor Joaze destacou o trabalho coletivo realizado para a elaboração da política. "Fizemos muitos debates com especialistas em relações raciais. Também foi importante a contribuição do professor José Jorge de Carvalho, de docentes do Neab [Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, do CEAM/UnB] e de diversos colegas e estudantes negros e brancos antirracistas", enumerou.


"Esta universidade foi criada para ampliar as exíguas oportunidades de educação da juventude brasileira e, em 2003, entendemos que essa juventude tinha cor e raça. Agora, essa compreensão ficou ainda maior", completou Joaze. Atualmente, 16 dos 96 programas de pós-graduação já aplicam algum tipo de ação afirmativa.

O texto aprovado no último dia 4 traz linhas gerais e, durante o debate no Cepe, os programas de pós-graduação foram encorajados a estabelecer regras internas a partir dessa política geral.

Permanência

Diversos conselheiros festejaram a aprovação e o fato de a resolução ser fruto de amplo debate. "Esta política foi gestada por muito tempo, com discussões e apresentações no âmbito da CPP [Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação]", destacou o professor Fabiano Hartmann, da Faculdade de Direito. "É muito importante que a Universidade esteja dando este passo, de forma a se tornar mais plural e justa", comentou a professora Cláudia Pato, da Faculdade de Educação.


Além de estabelecer a reserva de vagas, a resolução prevê estratégia para garantir a permanência de estudantes, com a priorização da concessão de bolsas para indígenas, quilombolas e negros, nessa ordem. "O ingresso afirmativo só é efetivo se for sustentado. E um primeiro passo para isso é com o direcionamento das bolsas", disse a professora Antonádia Borges, diretora de Pós-Graduação do DPG e presidente da comissão responsável pelo texto da política.

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