• Paulo Pinheiro

Final de semestre longe do fim

Atualizado: 23 de Dez de 2020



O final do semestre se aproxima. Para professores e alunos, este foi um ano repleto de desafios. A pandemia do novo coronavírus basicamente acelerou a transição para o aprendizado on-line. Porém, isso não significa que essa mudança foi simples ou pacífica. Nesta coluna queria compartilhar algumas das experiências vividas neste tumultuado ano de 2020.


Uma das coisas mais frequentes que eu percebi foi uma espécie de sentimento da turma de que a aula on-line não era a mesma que a presencial. Ou seja, os alunos pareciam dizer: "Eu não fiz a minha matrícula para isso, eu fiz a minha matrícula para estar em uma sala de aula física." Eu já tinha lecionado on-line há alguns anos, mas apenas um ou dois cursos a cada ano. Em 2020 fiquei on-line 100 por cento do tempo. Honestamente, o fato de trabalhar com o método do caso faz com que eu sinta falta, às vezes, de "medir a temperatura" da classe.


Claro, é possível usar enquetes para ter uma ideia geral. Mas acredito que se trata de um processo de aprendizado. Nos último trimestre, a sensação de melhoria na aplicação do método do caso on-line foi evidente para mim. Talvez até mesmo pelo fato de que, com a repetição das aulas, o meu desempenho em frente à câmera se tornou mais natural.


O principal desafio (e também ouço isso de outros professores) é sustentar o envolvimento dos alunos e estimular sua motivação para aprender em condições tão diferentes. Muitos alunos, pela primeira vez, estão se engajando no ensino a distância sem terem se preparado mentalmente para isso, nem ter criado um ambiente de aprendizagem que seja propício para esse "novo" método.

Percebi que, uma vez que a novidade do aprendizado de plataforma se esgota, os alunos geralmente se tornam distantes e mais passivos com o tempo. O que tem sido vital para mim na tentativa de manter o interesse é o envolvimento frequente com os alunos (e aqui não importa a plataforma de aprendizagem utilizada). Manter um bate-papo em um grupo casual criado no Facebook, por exemplo, pode ser uma alternativa para manter o engajamento. O essencial − mais do que nunca − é manter o moral elevado.


Mudança no método de avaliação


Uma das vantagens descobertas nesta época de pandemia foram as avaliações on-line. Eu já tinha aplicado algumas vezes, mas nunca tinha investido muito tempo para aprender a usar esse tipo de ferramenta. O resultado final foi surpreendentemente benéfico. A revisão e avaliação de tarefas on-line acabaram facilitando a minha vida enquanto professor.


A mudança foi tão positiva que hoje eu prefiro essa forma de processamento de notas. Ao ponto de que o estresse de fechar as notas se reduziu consideravelmente. A possibilidade de fornecer o feedback nas atividades pedidas, como se fosse um sistema de rubricas, facilita o trabalho e fornece clareza para o aluno entender o motivo pelo qual atingiu determinada nota. Além disso, as notas são calculadas automaticamente de forma centralizada pelo sistema.


No final de um ano tão difícil como foi 2020, percebi que alguns de meus alunos se adaptaram bem ao modelo on-line. Mas, verdade seja dita, alguns resistem abertamente ao conceito de uma aula on-line. Preferem, sem dúvida, o contato humano mais próximo, característico das aulas presenciais. E, se tudo correr conforme o previsto, em algum momento de 2021, esses alunos serão atendidos.


* * *

Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS. Atualmente trabalha como produtor de conteúdo da 818 Game Academy.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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