• César Steffen

Um cenário de despreparo


Pesquisa realizada pelo Instituto Península, organização social fundada pela família Abilio Diniz, apresenta dados preocupantes para o cenaŕio da educação no Brasil e agravados pelo momento de aulas presenciais suspensas.

A pesquisa, que tem sido desenvolvida em etapas desde o início da quarentena, mostra que 90% − isso mesmo, 90%, nove em cada dez, a maioria esmagadora − dos professores nunca tiveram qualquer experiência ou contato com a educação a distância (EAD). Antecipada ontem (17/5) em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a pesquisa também aponta que 55%, mais da metade dos professores em atividade, não tiveram qualquer formação, capacitação ou treinamento para lecionar pela EAD.

Isso se apresenta em um momento em que a maioria dos estados brasileiros já está há quase dois meses sem aulas presenciais em todos os níveis, e que a EAD toma conta de todas as ações e estratégias de ensino em todos os níveis. Isso gera, como era de se esperar, professores estressados, sobrecarregados, inseguros com suas atividades e sem qualquer apoio emocional das instituições.

Improviso


Basta uma rápida pesquisa nas redes sociais mais populares e não será difícil encontrar relatos de professores insatisfeitos com o atual momento. O impacto no emocional tem se mostrado grande nestes tempos.

Sobram casos de professores utilizando seus equipamentos e improvisando soluções caseiras para dar aula, comprando ou pagando mensalidades de softwares e tendo que recorrer a aulas no YouTube ou outras plataformas para aprender a captar e editar vídeos, organizar aulas, estruturar o plano de ensino. E tudo por conta própria, a maioria das escolas, faculdades e universidades não está conseguindo − e algumas nem tentando − ajudar ou capacitar os professores.

Surgem daí outros problemas, como a utilização de redes sociais que já são conhecidas, e por isso bem mais fáceis de manejar, para manter e controlar o acesso de alunos aos conteúdos, em ambientes não desenhados para essa tarefa, e sem a segurança necessária para que essas atividades possam ser desenvolvidas. A privacidade de professores e alunos fica, claro, ameaçada.

Mas, por outro lado, o maior envolvimento dos pais com as atividades e o ensino dos filhos tem trazido uma maior consciência sobre o trabalho da educação e a valorização do papel e da importância do professor. Um dado positivo neste cenário confuso e de dúvidas e ansiedade em todos os lados.

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