• César Steffen

Todo professor deve estudar EAD?

Atualizado: Jul 21



Parece, agora, que o pior para a educação já passou. Após meses de pandemia e de aulas presenciais suspensas, muitos professores já devem ter superado o pânico das aulas no formato de educação a distância (EAD) e já conseguem se sentir confortáveis − ou, pelo menos, mais à vontade − para essas atividades.

Alguns estados já retomam, gradativamente, as atividades presenciais. Outros apontam um retorno do ensino presencial para setembro, com rígidos protocolos de distanciamento e regras de higiene. Medição de temperatura, máscaras ou face shields, distância de 2 metros entre as classes e álcool em gel em todos os locais são algumas das novidades esperando alunos e professores neste 2020 de tantas surpresas e mudanças.

Mas a pergunta de muitos colegas é se, neste momento, ainda vale a pena aprofundar conhecimentos e estudos sobre a EAD. Entendo que sim e vou apresentar alguns argumentos para sustentar essa visão:

- A formação em EAD oferta conhecimento das tecnologias de ensino-aprendizagem em geral, envolvendo não somente as questões pedagógicas, mas também os processos de ensino-aprendizagem, que podem muito bem ser transportados e aplicados no presencial;

- Estudar EAD é um investimento em si mesmo, na qualificação do docente, e pode ser uma ótima forma de rever e reciclar conhecimentos e estratégias didático-pedagógicas;

- As regras de isolamento e prevenção ainda não estão totalmente estabelecidas. Assim, não seria de estranhar que as aulas voltem com modelos semipresenciais, com turmas divididas e parte da carga horária por EAD;

- As ferramentas evoluem muito rapidamente, mas mantém uma estrutura, uma lógica própria. Assim, conhecendo essa estrutura, essa lógica, o professor estará preparado para os avanços que as ferramentas devem trazer nos próximos anos e não será surpreendido;

- A nova geração está vindo forte e acostumada com as tecnologias, então, saber usar e aplicar as tecnologias educacionais em qualquer formato de aulas será praticamente obrigatório para os professores;

- A conhecimento em EAD será exigido e obrigatório para a carreira acadêmica. Atualmente no ensino superior, pelo menos 70% das vagas que chegam ao meu conhecimento já apresentam algum tipo de exigência e conhecimento obrigatório de EAD. E isso chegará logo aos demais níveis de ensino.

Se a EAD era uma promessa para o ensino superior, o ano de 2020 a transformou em realidade para todos os níveis de ensino. Se traz vários benefícios, como aulas de casa, não enfrentar trânsito nem transporte lotado, traz também vários desafios típicos das novas tecnologias e ambientes. Estar preparado é preciso.


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César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do site Educa 2022.

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