• César Steffen

Temos que pensar no híbrido (2)


Foto: Samsumg Memory/Unsplash

O ambiente da educação, especialmente o da superior, está mudando rapidamente. Alunos que antes resistiam à EAD estão aprendendo com o remoto que é possível ter um aprendizado de qualidade sem estar em sala de aula e gostando da liberdade e autonomia que a EAD oferece.


Não por acaso tantas faculdades e universidades têm avançado e anunciado cursos de graduação, especialização e demais formações com formato híbrido, já antecipando a futura liberação das aulas presenciais, atendendo assim a novas demandas do mercado de educação.


Muitas instituições e professores têm notado que o ensino híbrido avança no sentido da personalização do processo de ensino-aprendizagem. E, para que o docente possa adotar e explorar ao máximo o híbrido, é preciso conhecer seus formatos. Em geral, as pesquisas e os autores que trabalham com EAD híbrido citam três grandes formatos: sala de aula invertida, flexível ou flex, e rotacional.

O modelo flex é considerado um dos mais disruptivos, mais inovadores no processo de ensino, pois oferece muitas atividades on-line sem tempo para realização. O estudante pode assim se organizar para realizar as aulas, as tarefas, os exercícios e mais. Mas o professor precisa estar à disposição o máximo possível, de preferência com uma agenda de horários para atendimento individual ou em grupo.


Creio que esse seja o modelo com mais alto nível de personalização, pois o aluno pode organizar suas atividades e tarefas conforme suas particularidades, contando com a orientação pedagógica da instituição e do professor.


No modelo de rotação ou rotacional, como o nome já sugere, o aluno passa por vários formatos e várias estratégias diferentes ao longo do processo de aprendizagem, trabalhando individualmente, em grupo, presencial, a distância, em aulas teóricas e com atividades e exercícios e mais.


Todos os recursos das plataformas EAD podem ser colocados no plano de aula, na organização, ofertando diferentes formatos, modelos, estratégias e experiências para o estudante. Isso requer do professor e da instituição um pensamento mais holístico, no sentido de que o planejamento deve levar em conta o conjunto das atividades da disciplina como um todo.


Da mesma forma, é importante lembrar que o aluno normalmente cursa mais de uma unidade curricular ao mesmo tempo, o que deve ser levado em conta para evitar sobrecarga das atividades ou mesmo repetição e sobreposição de estratégias. E também lembrar que nem todos os recursos são aplicáveis a todas as unidades e conteúdos, logo, o fato de um recurso estar à disposição não significa que deva, necessariamente, ser utilizado, aplicado a todas as disciplinas.


Já na sala de aula invertida o aluno é colocado como protagonista do processo de aprendizagem. Isso não significa reduzir ou mesmo tirar o papel do professor, mas sim gerar estratégias e abordagens que oferecem flexibilidade, para que o aluno possa adaptar ao seu estilo de aprendizagem, seja em casa, na instituição, em sala de aula, onde ele sentir conforto e rendimento, potencializando sua experiência e seu relacionamento com o professor, os colegas e a instituição.


Independentemente disso, é importante observar o perfil do curso, dos estudantes e também da instituição, de forma que a organização do ensino no formato híbrido seja a mais positiva e construtiva. Particularmente, desenvolvi um modelo que trata sobre como analisar, avaliar, decidir e implantar o ensino híbrido para cursos superiores de graduação e especialização. Tratarei disso no próximo artigo.


Obrigado!


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César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.