• César Steffen

Temos que pensar no ensino híbrido



Para a genética, híbrido é algo que surge da mescla, da mistura de dois organismos de espécies ou variedades diferentes. Na linguística, uma palavra fruto da fusão de duas de outras línguas. Na mecânica ou engenharia, um mecanismo que pode funcionar com duas fontes diferentes de energia, como um carro a combustão e elétrico.


Na educação a expressão tem se acelerado e ganhado força, combinando recursos presenciais e a distância, on-line em vários formatos e suportes, ampliando a forma de acesso, contato e experimentação do aluno com os temas e assuntos da aula.


No ensino híbrido haverá momentos em que o estudante estará presencialmente com os colegas e professores. Mas haverá outros momentos em que o aluno poderá estar em contato via tecnologia. E outros em que o aluno estará sozinho. Dependendo da forma de abordagem e construção adotada pela instituição de ensino e dos objetivos de aprendizagem.


Usar essas estratégias pode parecer novidade, então é o caso de lembrarmos que o ensino híbrido começou a ser testado nos EUA, em 1960, com a edição de materiais impressos, mas ganhou força na década de 1990, com os meios digitais, como o CD-ROM. A internet só veio facilitar e acelerar o ensino híbrido.


A educação híbrida não se trata apenas de ofertar conteúdos por via tecnológica. Trata-se de pensar pedagógica e estrategicamente o ensino, de modo que opções e estratégias on-line e off-line, presenciais e não presenciais, em grupos e individuais sejam disponibilizadas e atuem em conjunto para a construção dos objetivos e metas educacionais. Por isso chama-se ensino híbrido.


É possível adotar estratégias dentro da escola, mesclando atividades e recursos tecnológicos com as aulas presenciais, de forma a ampliar a gama de abordagens com os estudantes, indo além do conteúdo, explorando de forma mais experimental temas e formatos.


O ensino híbrido apresenta vários benefícios para o estudante, já verificados e validados em várias pesquisas e estudos. Dentre estes, cabe destacar a melhora na escrita e na gestão, no acompanhamento das atividades de estudo, na avaliação de cenários e até mesmo na utilização de dispositivos e recursos tecnológicos. Ou seja, a simples aplicação de metodologias híbridas já cumpre e acelera o processo de aprendizado.


Não menos importante, aplicar metodologias híbridas na capacitação docente tem apresentado excelentes resultados nas instituições de vários níveis, aumentando tempo, temas e assuntos abordados, para além do que a agenda presencial permitiria. Além disso, o professor experimenta diretamente o que irá ofertar ao aluno em seu plano de aulas, observando assim potencialidade e limitações do ambiente e dos recursos.


Ecografia 3D


Pausa para leve mudança de assunto, mas relacionado.


A geração nascida neste século já está chegando às universidades. Uma criança nascida em 1º de janeiro de 2001 está com 19 anos e, se não teve nenhum acidente de percurso, está apta a ingressar se já não ingressou em um curso superior.


Não é difícil concluir que as crianças de hoje já chegam altamente capacitadas com a tecnologia. Já nasceram frente a uma tela, seja de computador pessoal, de tablet ou de celular, desenvolveram novas formas de socialização além do presencial conheci um casal que criou um perfil para o filho nas redes sociais antes mesmo de ele nascer, usando a imagem da ecografia 3D como foto.


Essa geração já domina a tecnologia, lê e compreende as interfaces rapidamente, e já consegue tomar decisões e avaliar percursos próprios no digital. Assim, aplicar metodologias e estratégias do híbrido que explorem tais conhecimentos e habilidades só poderá trazer benefícios para o estudante e para a escola.


Como? Tratarei dos formatos e das estratégias de aplicação do híbrido no próximo artigo.


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César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.


O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.