• Redação Jeduca

Secretários: falta coordenação nacional

Atualizado: 22 de Nov de 2020


Por Mariana Mandelli, especial para a Jeduca


Escolas fechadas, alunos em casa e professores sobrecarregados em um cenário de desigualdades sociais profundas agravadas por uma crise sanitária. Os efeitos da pandemia de covid-19 no sistema de ensino brasileiro ainda são difíceis de dimensionar, e as sensações de temor e incerteza foram pioradas por uma questão sistêmica: a falta de uma coordenação nacional por parte do Ministério da Educação (MEC), que se privou de orientar escolas, educadores e gestores.

Essa é a opinião de secretários de Educação que participaram da segunda mesa do 4º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), na última segunda-feira (19). A sessão “Jeduca entrevista: secretários estaduais e municipais falam sobre educação na pandemia” foi mediada pela jornalista Renata Cafardo (Estadão e vice-presidente da Jeduca) e contou com a presença de Rossieli Soares (São Paulo), Getúlio Ferreira (Rio Grande do Norte), Renato Feder (Paraná), Kátia Schweickardt (Manaus-AM) e Elza Ortelhado (Campo Grande-MS), que relataram alguns dos desafios das redes que comandam.

“O MEC poderia ter sido uma grande liderança. Estaríamos em uma situação diferente hoje”, afirmou Getúlio Ferreira, secretário do Rio Grande do Norte.

Katia Schweickardt destacou que, com as eleições municipais, muitas cidades trocarão de prefeitos e secretários, o que tem impacto direto na gestão da pandemia e da volta às aulas (ou da manutenção do ensino remoto). É preciso, portanto, que o ministério tome a dianteira das orientações de transição para não prejudicar ainda mais as crianças e os jovens.

“Precisamos de uma coordenação nacional para os municípios que estão começando novas gestões, com novos prefeitos e novos secretários. O Brasil não pode carecer disso. A gente fez muito mais do que a gente conseguiria”, ressaltou Katia, secretária de educação de Manaus.

Para Renato Feder, que recusou o cargo de ministro da Educação recentemente por estar “focado na gestão do Paraná” e que adotou uma postura menos crítica que a dos outros participantes, o MEC poderia ajudar na coleta e estruturação de boas práticas a ser replicadas pelo país.

Regime de colaboração e tecnologias


A relação entre estados e municípios foi bastante abordada pelos secretários, uma vez que existem casos em que a rede estadual já reabriu as escolas, enquanto há cidades que têm mantido as unidades fechadas. Esse “desencontro” entre as administrações municipais e a respectiva rede estadual tem acontecido em diversos pontos do país – é o caso do Amazonas e de São Paulo, por exemplo. Segundo Rossieli Soares, algumas cidades paulistas não permitiram a reabertura das escolas, mesmo com o estado tendo retomado as atividades presenciais no início de setembro.

De acordo com o secretário, neste momento há 904 escolas estaduais abertas no estado, de um universo de cerca de 5 mil unidades. Mais colégios devem abrir nas próximas semanas. “Ainda não tivemos nenhum caso [de covid-19] entre alunos desde o retorno das aulas, em 8 de setembro. Estamos mantendo a guarda elevada”, afirmou.

O acesso desigual a dispositivos eletrônicos e à internet para o acompanhamento das aulas também foi tema de discussão. “Temos algumas escolas abertas agora para serem ponto de suporte físico para alunos que não têm celular e televisão. Eles agendam a ida à escola para terem esse apoio”, disse Katia, destacando as dificuldades de muitas famílias. Segundo ela, o mesmo ocorre para professores com dificuldades de tecnologia: eles podem recorrer presencialmente às unidades para isso.

Só em 2021


Algumas redes, no entanto, alegam que o retorno às aulas presenciais ocorrerá apenas no ano que vem, dado o contexto de dúvidas sobre uma nova onda de contágio e a chegada de uma vacina. “O direito principal é direito à vida e ainda não tivemos segurança para fazer essa volta”, disse Getúlio Ferreira, alegando que o Rio Grande do Norte ainda tem muitos casos de contaminação.

Campo Grande também deve seguir com as unidades de ensino fechadas. “Vamos concluir o ano letivo com ensino remoto. O retorno será em fevereiro de 2021”, afirmou Elza Ortelhado. Segundo ela, a busca ativa é fundamental nesse contexto para as escolas e os educadores ter informações sobre o bem-estar dos alunos.

Há uma atenção especial para os estudantes com deficiência, que enfrentam dificuldades ainda maiores para aprender em casa. “Fizemos adaptação de conteúdo para esses estudantes e fomos atrás deles, ligando para as casas ou acessando-os por meio das redes sociais”, afirmou.


O 4º Congresso da Jeduca vai até 23 de outubro, é on-line e gratuito. Conheça a programação, inscreva-se e acompanhe as mesas aqui.

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