• Demétrio Weber

Educação é destaque no Nobel de Economia



O Prêmio Nobel de Economia deste ano foi concedido a três professores que lutam contra a pobreza no mundo. Como não poderia deixar de ser, a educação está no centro desse esforço. E as pesquisas dos três vencedores jogam luz sobre o impacto das ações educacionais.


O trio leciona em universidades de ponta dos Estados Unidos e, por conseguinte, do planeta: o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, conhecido pela sigla MIT (de Massachusetts Institute of Technology), e a Universidade Harvard. Por coincidência −ou não −, as duas instituições ficam na mesma cidade norte-americana: Cambridge, na região metropolitana de Boston.


Da costa leste dos EUA, o olhar dos agraciados mira países em desenvolvimento: suas pesquisas, nos últimos 20 anos, foram realizadas em áreas rurais do Quênia, na África, ou em cidades populosas da Índia, na Ásia.

Em síntese, o trio busca evidências para responder concretamente a perguntas do tipo: o que fazer para que mais crianças frequentem a escola, aprendam a ler e escrever, sejam vacinadas ou deixem de contrair malária?


Os três partem da premissa de que a pobreza envolve múltiplas variáveis, e seus experimentos procuram identificar as ações capazes de gerar maior impacto. Para isso, a grande questão (Como reduzir a pobreza?) é fracionada em perguntas sobre problemas específicos, passíveis de verificação in loco (O que é mais importante para elevar os níveis de aprendizagem dos alunos: merenda, livros didáticos ou aulas de reforço escolar?).

Miséria global

O Nobel de Economia de 2019 foi concedido a Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer. Professores no MIT, Banerjee e Esther são casados: ele nasceu na Índia e ela, na França. Esther, de 46 anos, é a segunda mulher a receber o Nobel de Economia e a mais jovem premiada. Kremer, por sua vez, leciona em Harvard é o único nascido nos EUA (Nova York).

Ao anunciar os ganhadores, em outubro, a Academia Real Sueca de Ciências chamou atenção para o tamanho da miséria global: Mais de 700 milhões de pessoas ainda subsistem com rendas extremamente baixas. A cada ano, cerca de 5 milhões de crianças menores de 5 anos morrem por doenças que poderiam ser evitadas ou curadas com tratamentos relativamente simples e baratos. Metade das crianças do mundo ainda sai da escola sem habilidades básicas de leitura e matemática", diz o comunicado. 

Reforço escolar


A entidade também destacou a contribuição do trio para aliviar a pobreza − seja por apontar políticas públicas mais eficazes ou por evitar gastos em iniciativas incapazes de gerar bons resultados. 


Suas primeiras pesquisas experimentais foram sobre educação. Ainda na década de 1990, Kremer realizou um projeto em parceria com uma organização não governamental no Quênia, com o intuito de testar iniciativas para elevar a aprendizagem das crianças. Em períodos variados, diferentes escolas tiveram acesso a livros didáticos, merenda ou reforço escolar. De acordo com o comunicado da academia sueca, o acesso a livros didáticos resultou em maior aprendizagem apenas para os melhores alunos, enquanto a oferta de alimentação não teve impacto nesse sentido. O que realmente fez diferença foi um programa de reforço escolar para alunos com pior desempenho.

Banerjee e Esther também conduziram uma pesquisa sobre reforço escolar na Índia. “O experimento claramente mostrou que dar apoio aos alunos mais fracos era uma medida efetiva no curto e no médio prazo”, diz o texto divulgado pela academia, informando que mais de 5 milhões de alunos indianos já se beneficiaram de programas desse tipo, em decorrência do trabalho dos economistas.


Vermes

Em outra frente, eles demonstraram a importância da prevenção e do tratamento de verminoses entre crianças, relacionando esse tipo de ação à maior escolarização dos jovens e, consequentemente, à obtenção de melhores empregos. 

“A pesquisa conduzida pelos laureados deste ano melhorou consideravelmente nossa habilidade de combater a pobreza global. Em apenas duas décadas, sua nova abordagem baseada em experimentos transformou a economia do desenvolvimento, que é agora um campo de pesquisa promissor”, diz o comunicado.


Sem dúvida, políticas públicas devem ser baseadas em evidências. Informação e conhecimento encurtam caminhos e aceleram soluções.

A educação passa por aqui.

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