• Demétrio Weber

Reitor revela que ministro não é doutor

O reitor Franco Bartolacci, da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, anunciou ontem (26) que o novo ministro da Educação do Brasil, Carlos Alberto Decotelli, não concluiu o curso de doutorado naquela instituição. A informação contradiz o currículo com que Decotelli se apresentava até ontem.

Bartolacci usou sua conta no Twitter para fazer o esclarecimento, retuitando mensagem do presidente Jair Bolsonaro, que, na véspera, anunciara a nomeação de Decotelli − com menção ao suposto título de doutor.

O reitor argentino escreveu: "Nos vemos en la necesidad de aclarar que Carlos Alberto Decotelli da Silva no ha obtenido en @unroficial la titulación de Doctor que se menciona en esta comunicación. [Em tradução livre: Precisamos esclarecer que Carlos Alberto Decotelli da Silva não obteve na @unroficial o título de doutor mencionado nesta comunicação]"


Depois, em entrevista ao site O antagonista, Bartolacci revelou que Decotelli foi reprovado na qualificação, etapa anterior à defesa da tese de doutorado.

Ao Educa 2022, o reitor afirmou: "O ministro concluiu os créditos, mas não aprovou a tese. E a aprovação da tese é requisito indispensável para poder obter o título de doutor da nossa universidade. Portanto, o que dizemos é que ele efetivamente cursou o doutorado, mas não é doutor pela Universidade Nacional de Rosário."

Ministro

Procurada ontem à tarde, a assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) limitou-se a responder que "o ministro Carlos Alberto Decotelli da Silva concluiu, em fevereiro de 2009, todos os créditos do doutorado em Administração pela Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina". A assessoria divulgou também o certificado de conclusão dos créditos:



Mais tarde, o ministro alterou os dados referentes a seu doutorado na plataforma Lattes − base de currículos administrada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Decotelli fez constar que cursou as disciplinas do curso, os chamados créditos, mas que não chegou a defender a tese, passo obrigatório para a obtenção do título de doutor.

Na versão anterior do Lattes, constava o título da tese: "Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja" e o nome do orientador, Antonio de Araújo Freitas Júnior − substituído pela inscrição "Sem defesa de tese".

Confira a nova versão do currículo Lattes do ministro:



E a versão anterior:


Mestrado

Neste sábado (27), pelo Twitter, o professor Thomas Conti levantou a suspeita de que Decotelli tenha cometido plágio em sua dissertação de mestrado profissional pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No Lattes, o ministro informa que obteve o título de mestre em 2008, com a dissertação "Banrisul: do Proes ao IPO com governança corporativa."

Conti destacou parágrafos da dissertação que seriam cópia de um relatório anterior da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não é citado nas referências bibliográficas.



De acordo com o portal G1, a FGV anunciou que vai apurar a denúncia. "A FGV está localizando o professor orientador da dissertação para que ele possa prestar informações acerca do assunto. Caso seja confirmado o procedimento inadequado, a FGV tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis", diz trecho de nota divulgada pela instituição de ensino, conforme o G1.

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