• Ronaldo Mota

Realidade virtual

Atualizado: há 4 dias



As múltiplas realidades (virtual, aumentada e mista) aplicadas aos processos de aprendizagem permitem uma imersão do educando sem precedentes.


A modalidade educação a distância trouxe ferramentas que hoje viabilizam o que chamamos de educação híbrida, incorporando tanto elementos do ensino presencial como on-line. Com as múltiplas realidades, os elementos virtuais e físicos se combinam, gerando o que é chamado de realidade fígital, parte físico real e parte simulado virtual, elevando o que chamávamos de ensino híbrido a um patamar mais elevado ainda.


A adoção de realidades virtuais múltiplas traz consigo a viabilidade de laboratórios simulados e um conjunto de vivências de aprendizagem baseadas em processos de modelagem e simulação espetaculares. Essas inovações tornarão, muito rapidamente, o que tínhamos antes bastante obsoleto e, à luz dos alunos, possivelmente, pouco atraentes.


A título de exemplo, entre vários, o dispositivo HoloLens da Microsoft possibilita uma experiência imersiva, confortável (podendo ser utilizado simultaneamente com os óculos de grau, por exemplo) e intuitiva (fácil de aprender e de se adaptar), viabilizando vivenciar, com confiabilidade, segurança e escalabilidade, os serviços de nuvem e de inteligência artificial acoplados. Tendo o campo de visão aumentado, é possível visualizar mais hologramas de uma única vez, permitindo captar detalhes complexos, sem precedentes, em imagens com resolução 3D com alta resolução.


Interessante observar que há hoje muitas ferramentas disponíveis, todas elas podendo ser adotadas sem prejuízo da interação entre os próprios estudantes, bem como entre educadores e educandos. Além disso, plenamente possível desenvolver trabalhos em equipe síncronos e assíncronos. Ou seja, é possível desenvolver uma aprendizagem adotando os processos imersivos, particularmente os síncronos, para ampliar relacionamentos, maximizando as possibilidades de interação entre os atores educacionais. As interações via dispositivos podem ser complementares e estimuladoras das interações reais. Portanto, a tradicional interação aluno-professor, mesmo quando mediada por realidades virtuais, é mantida, podendo ser amplificada.

Entre os predicados adicionais dos processos imersivos na educação estão que essas novas realidades desconhecem limites geográficos, podendo ser adotados em qualquer lugar, e não limitam o número de participantes ou diminuem de qualidade porque temos mais alunos. Pelo contrário, quanto mais participantes envolvidos, estejam eles onde estiverem, mais dados permitem ser colhidos, analisados e se constituem em referências básicas para, via a analítica da aprendizagem, modularmos as melhores e mais adequadas trilhas individualizadas de aprendizagem.


Nesse contexto educacional, acompanhamos simultaneamente o progresso de cada educando, permitindo que cada um aprenda em seu próprio ritmo. Ou seja, combinamos positivamente quantidade e qualidade, à medida que se torna possível combinarmos métodos de ensino com estilos de aprendizagem, especialmente quando estamos em grande escala.


Por fim, com o advento próximo da rede 5G, estejamos preparados para um mundo sem precedentes de muito maior acessibilidade e de mais qualidade em termos de acesso à internet. Ingressamos em um mundo em que a informação está se tornando totalmente acessível, instantânea e abundante. Precisamos ter abordagens e tecnologias educacionais compatíveis que permitam que todos aprendam, aprendam o tempo todo e que cada um aprenda de sua forma única. Para tanto, caminhamos em direção a uma educação híbrida, flexível e personalizada, incorporando realidades virtuais múltiplas, recheada de imersões síncronas e assíncronas.


[Publicado originalmente nas redes sociais do autor.]


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Ronaldo Mota é diretor científico da Digital Pages e membro da Academia Brasileira de Educação. Atua nas áreas de Novas Tecnologias e Metodologias Inovadoras em Educação. Foi chanceler e diretor executivo de Educação a Distância do Grupo Estácio, reitor da Universidade Estácio de Sá, professor titular de Física da Universidade Federal de Santa Maria, pesquisador do CNPq, secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, secretário nacional de Educação Superior, secretário nacional de Educação a Distância e ministro interino do Ministério da Educação. Realizou pós-doutoramentos nas universidades de Utah/Estados Unidos e da Columbia Britânica/Canadá e foi professorial visiting fellow no Instituto de Educação da Universidade de Londres/Reino Unido, tendo sido condecorado pela Presidência da República do Brasil como Comendador, na Classe Grã-Cruz, da Ordem do Mérito Científico Nacional. Editor da Coluna reitoronline do Portal iG e Autor Convidado do Blog CISCO #EducationNow series (USA).


O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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