• Paulo Pinheiro

Professores e alunos, o pacto (2)


Foto: Sergey Dapkus/Unsplash

Na coluna da semana anterior tentei demonstrar como a confiança é importante para o aprendizado. Para que ela surja de forma efetiva em sala de aula é necessária uma mudança de postura do professor. O processo é longo e merece ser bem detalhado.


Relações pactuais vs. contratuais


Ao pensar sobre essas relações de aliança, você pode estar se perguntando sobre o oposto contratual. A diferença básica é que o último é transacional e o primeiro é baseado na fé e construído a cada encontro.


Em um pacto, os líderes e professores estão “totalmente focados”. Eles se concentram em se conectar com cada funcionário ou aluno para que cada pessoa acredite que pode ter sucesso.


Líderes e professores aparecem para trabalhar pensando nos outros tanto ou mais do que pensam em si mesmos. Eles ajudam a promover uma mentalidade inclusiva, focada em tornar toda a equipe ou classe melhor. Eles equilibram os interesses do grupo e de cada profissional ou aluno. Mas aqui está a principal diferença de uma relação contratual: eles são generosos na maneira como atendem aos objetivos dos outros.

Em uma relação contratual, líderes e professores aparecem para cumprir suas obrigações do ponto de vista puramente cognitivo; eles não têm o fator emocional no jogo. Eles estão focados apenas em objetivos individuais. Eles possuem uma mentalidade de sobrevivência, supondo que estejam a serviço de si mesmos. Líderes e professores contratuais se preocupam com sua imagem, como são vistos por seu chefe − um gerente ou chefe de departamento. Eles possuem pouca empatia pelos outros porque seu objetivo é única e exclusivamente sobreviver.


Seja o professor do pacto


Criar os tipos de relações de aliança em que os alunos se sentam com a coluna ereta em suas cadeiras, totalmente envolvidos no processo de aprendizagem e descoberta, começa com a preparação − enorme, trabalhosa e dedicada − para ensinar.


Uma vez na sala de aula, olhe nos olhos dos alunos, ouça-os atentamente ao interagir com eles, faça piadas quando apropriado, convide os alunos para interações em grupo e busque maneiras de entender cada aluno. A lista não tem fim. Fique na porta e dê as boas-vindas aos alunos quando eles entrarem na sala de aula (ou conecte-se ao Zoom antecipadamente e dê as boas-vindas aos alunos quando eles chegarem on-line) e chame os alunos pelo nome.


Mostre interesse genuíno enquanto os alunos falam em classe. Aproxime-se deles enquanto falam. Envie um e-mail para um aluno que se destacou nas aulas ou que está tendo dificuldades. Inicie a comunicação quando estiver preocupado com o progresso ou disposição de um aluno. Aja rapidamente se sentir que está perdendo um aluno.


Mais do que qualquer outra coisa, criar relacionamentos na sala de aula é fundamental. Isso faz com que os alunos estejam dispostos a suspender a dúvida, suspender os seus medos e entrar no esforço de aprendizagem. São essas horas que tornam as aulas memoráveis. São esses momentos que dão aos alunos coragem para serem diferentes e fazer mudanças reais. Na condição de professor, anseio por esses momentos. Experimentá-los é razão suficiente para querer continuar ensinando por muitos anos. Nada neste mundo me parece melhor.

Dicas de preparação para uma aula baseada em confiança


Convencer os alunos de que eles significam mais para você do que qualquer outra pessoa começa com uma preparação adequada.

1) Leia casos e outros materiais de aula várias vezes para mostrar que você valoriza o conteúdo.

2) Aprenda sobre seus alunos. Conheça suas origens e como pronunciar seus nomes. Saiba se eles tiveram ou não experiências anteriores relevantes.

3) Use cartões de visita para que você possa chamar os alunos pelo nome e rapidamente anexar um nome a um rosto.

4) Observe como os alunos podem contatá-lo. Defina a expectativa, no primeiro dia de aula, de conversas sobre o conteúdo da disciplina, bem como conselhos de carreira.

5) Descubra se algum aluno da sua turma tem dificuldades de aprendizagem ou outras barreiras à aprendizagem.

6) Determine se você já conhece algum dos alunos. Você já tem favoritos? Há algum aluno com quem você teve uma interação negativa? Você deve falar com a pessoa com antecedência?

7) Pergunte a si mesmo em que ponto os alunos ficarão nervosos no primeiro dia e determine quanto conteúdo você deve compartilhar inicialmente.

8) Observe quantos alunos de grupos minoritários estão representados na classe. A diversidade socioeconômica é importante quando chega a hora de dividir os grupos para uma interação intensiva.


Para quem quiser se aprofundar no assunto, sugiro a leitura do livro Teaching by Heart: One Professor’s Journey to Inspire, de Thomas J. DeLong.


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Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS. Atualmente trabalha como produtor de conteúdo da 818 Game Academy.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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