• Demétrio Weber

'Estão passando a boiada no MEC'

Atualizado: Mar 22


Em sua coluna publicada no jornal O Estado de S. Paulo deste domingo (21), a jornalista Renata Cafardo descreve um cenário preocupante quanto à atuação do governo federal na educação.


"Triste notícia. Estão passando a boiada no Ministério da Educação (MEC). Enquanto a pandemia só piora no Brasil, milhares morrem a cada dia, ninguém por lá se preocupa com o futuro de uma geração sem escola há um ano. Pelo contrário, gasta-se energia e dinheiro para introduzir mudanças inimagináveis e que seguem uma única lógica: agradar à militância ideológica de Jair Bolsonaro", afirma Renata.


Ela destaca algumas das últimas ações da pasta: "A meta traçada pelo governo Bolsonaro na educação é aprovar o ensino domiciliar ainda neste primeiro semestre. Boa parte de quem faz homeschooling no Brasil é de famílias religiosas. Deputados que apoiam a pauta, entre eles Eduardo Bolsonaro, simpatizam com a ideia de que a escola é um lugar dominado por doutrinadores de esquerda e depravados. Mas como nem todo mundo vai poder e querer estudar em casa, o MEC de Bolsonaro também tem seu plano para as escolas. Passou a atacar em três frentes para tentar mudar o que é ensinado no Brasil: avaliações, materiais didáticos e Base Nacional Comum Curricular (BNCC)."


Renata chama a atenção para uma mudança no debate sobre a avaliação da educação básica: "Neste mês, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, conhecido como Ideb, que indica o que sabem os estudantes de todo o País, saiu das mãos dos estatísticos e educadores e foi para as dos políticos e malucos. Com uma canetada, o estudo que vai decidir sobre como será o novo Ideb foi tirado do Inep, o órgão técnico que cuida desde sempre das avaliações educacionais. O que o indicador a partir de agora vai considerar bom e ruim no ensino brasileiro será decidido pela secretaria executiva do MEC, a turma do pastor e de Olavo de Carvalho."

E conclui: "Para coroar as últimas semanas de absurdos, Bolsonaro vetou na sexta-feira o projeto de lei que destinava bilhões para internet gratuita para alunos pobres e professores da rede pública durante o ensino online. Escondido pela pandemia, o MEC passou de inoperante a máquina de uma empreitada ideológica e nefasta."


Confira aqui a íntegra da coluna de Renata Cafardo no Estadão (para assinantes).