• Lucas Proença

Pandemia desafia professores e alunos


Por Bruno Bazzo e Lucas Proença


Dentre os inúmeros setores da sociedade que tiveram suas rotinas atingidas pela pandemia de covid-19, certamente a educação é um dos que enfrentam maior dificuldade. Professores, gestores, estudantes e suas famílias lidam com o desafio de transformar o ensino remoto em realidade e de conviver com a falta de previsão de retorno à 'normalidade'.

Enquanto escolas adotam o ensino on-line, a exclusão digital expõe desigualdades e impede que muitos estudantes participem das atividades, por falta de computador e de conexão à internet. “O abismo educacional entre estudantes de escolas públicas e privadas é um fato, e a pandemia só contribuiu para aumentar desigualdades educacionais”, afirma Bárbara Darski, professora de história no ensino médio, no Senac do Rio Grande do Sul.

Na rede pública, a educação a distância encontra ainda mais barreiras. Afinal, as escolas lidam com desafios estruturais, como conta Ana Gabriel, professora de história na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Gilberto Jorge, em Porto Alegre:

"A experiência de ensino remoto na escola pública está sendo bastante frustrante, na medida em que as condições materiais da comunidade são, na maioria dos casos, bem desfavorecidas. As famílias estão preocupadas com a sua sobrevivência e sobra pouco espaço para dar atenção às atividades escolares", diz Ana.

Desenvolvimento humano

A professora Bárbara aponta outros desafios no ensino remoto:

“A falta das relações presenciais prejudica o desenvolvimento cognitivo e social dos estudantes. A escola é, além de um local de aprendizagem de conteúdos, o espaço em que os sujeitos se constituem. É onde desenvolvemos nossas habilidades sociais para além da família, aprendemos a lidar e a conviver com as diferenças, diversidades e pluralidades de sujeitos que nos são estranhos (professores e colegas)", diz Bárbara.

Quanto ao contato com os alunos, Ana Gabriel conta que "uns poucos retornam atividades e alguns enviam mensagens diretas via WhatsApp". A escola, por sua vez, procura manter o vínculo com os estudantes e com a comunidade. "Inclusive com um programa de ajuda alimentar, cujos fundos são angariados entre nós, professores, familiares e amigos da comunidade, buscando minimizar a situação neste momento de pandemia", relata Ana.

Bárbara considera que o atual período de ensino remoto provocará mudanças na educação. Quando as aulas presenciais forem retomadas, dificilmente serão como antes da pandemia.

“Não acredito que a modalidade on-line deva substituir a presencial, mas negar o uso das tecnologias, principalmente restringindo aparelhos eletrônicos em aula, é um grande erro", diz Bárbara. "As metodologias ativas e o trabalho por projetos, associados ao pensamento computacional, são grandes aliados no desenvolvimento de competências e habilidades nas novas gerações, que, em geral, nasceram inseridas nesse contexto informacional.”

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Bruno Bazzo é jornalista graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Escreve também para o teatro e está prestes a lançar seu primeiro livro, de contos.


Lucas Proença é estudante de jornalismo na Unisinos, no campus Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É coprodutor e criador de conteúdo na Ah Tri Cultural, contista e publica estórias em sua conta no Medium.

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