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Boas práticas e casos de sucesso na educação

Os 200 anos da Independência do Brasil serão celebrados em 2022, mas somente com educação de qualidade − e para todos − é que seremos verdadeiramente livres.

 
 
  • Demétrio Weber

Limites do Pisa

Atualizado: Mar 14


O debate sobre o que se entende por qualidade da educação anda a reboque dos chamados testes padronizados. É o caso do Pisa, da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).


Basta serem divulgados os resultados, a cada três anos, para que se pinte um quadro de terra arrasada da educação brasileira.


Sem dúvida, o que não falta são problemas em nossas escolas. E o diagnóstico traçado pelo Pisa deve ser motivo de preocupação e alarme. Sim, o país terá que avançar muito para oferecer educação de qualidade para todos.


Cada vez mais, contudo, é necessário entendermos como funcionam os testes padronizados, isto é, o que exatamente eles medem e o que têm a oferecer. Em outras palavras, seus limites e possibilidades.


Aqui entramos no pantanoso território da complexidade da educação e de suas nuances, o que pode ser bastante arriscado nestes tempos de polarização, certezas e xingamentos. Por isso, é bom avisar: não sou contra testes padronizados, pois entendo que avaliações diagnósticas produzem dados extremamente úteis para o aprimoramento do ensino.


Como funciona


No Brasil, os testes mais populares são o Pisa e a Prova Brasil/Saeb, do MEC. Mas há estados que criaram e aplicam suas próprias versões desse tipo de exame.


A ideia é verificar como está a aprendizagem em larga escala. Seja dos jovens aos 15 anos de idade, como no Pisa, seja dos alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, como na Prova Brasil/Saeb.


O formato é conhecido: os estudantes respondem a um número xis de questões sobre determinadas áreas do conhecimento ou competências. O Pisa avalia leitura, matemática e ciências.


Os resultados apontam quem está abaixo ou acima do nível mínimo, quem atingiu patamares de excelência e, o mais importante, quais tópicos devem ser reforçados.


Criatividade e inovação


No livro Um mundo, uma escola A educação reinventada, Salman Khan fala dos limites da avaliação escolar tradicional sob a ótica da criatividade. Para ele, as provas escolares, assim como os testes padronizados, passam ao largo desse tipo de habilidade essencial para a inovação e para o avanço do conhecimento.


Khan considera que a intuição e a criatividade são tão necessárias para a matemática e para as engenharias quanto para as ciências humanas. Ele chama isso de arte, "algo que as provas não são muito boas em identificar ou mensurar". Nesse sentido, afirma o fundador da Khan Academy, "as habilidades e o conhecimento que os testes podem medir são meros exercícios de aquecimento".


Khan relativiza que os alunos dos Estados Unidos tenham ficado em 23º lugar, em matemática e ciências, no ranking do Pisa de 2009 (o livro foi publicado em 2012).


"Da perspectiva norte-americana, isso é inquietante; mas esses testes oferecem uma medida muito limitada do que está acontecendo no país", escreveu ele. "Deixando de lado a retórica alarmista, os Estados Unidos não estão em vias de perder sua primazia pelo simples fato de alunos da Estônia serem melhores em fatorar polinômios. Outros aspectos da cultura americana − uma combinação especial de criatividade, empreendedorismo, otimismo e capital − tornaram-na o solo mais fértil do mundo para inovação."


É preciso aprofundar o debate sobre a natureza e o alcance dos testes padronizados. Usar, da melhor maneira possível, o que eles têm a oferecer.


A educação só tem a ganhar com isso.

 

Quem faz o blog

Demétrio Weber é jornalista, mestre em Direitos Humanos, Cidadania e Violência e criador do blog Educa 2022. Acredita que a educação pode mudar o mundo.

Como repórter nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, entre 1995 e 2015, especializou-se na cobertura da área de educação.

Foi assessor de imprensa e consultor da UNESCO no Brasil. 

É autor, entre outros, do Guia do Ideb da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), dos capítulos 6 e 10 do livro Políticas educacionais no Brasil − O que podemos aprender com casos reais de implementação? e da reportagem More than money, failures of U.S. schools require new strategies, publicada no site do jornal The Washington Post.