• César Steffen

O que nos espera em 2021?

Sugeri, em artigo anterior, que 2020 poderá ser declarado o ano da educação a distância (EAD).

Essa ideia não é por acaso. Sim, fomos literalmente atropelados. De uma hora para outra, ficamos presos em casa, tivemos que aprender a usar máscaras, lavar mais e mais as mãos, não abraçar, manter distância dos demais. E a ter aulas via EAD, gostando ou não, sabendo usar ou não.

A pergunta que surge neste momento é: que escola teremos em 2021?

Como seremos, alunos, pais, professores, funcionários e demais recebidos no ambiente educacional? Que escola, que faculdade, que universidade, que ambiente, que regras e que formatos serão criados? Teremos um retorno ao 'normal' ou um 'novo normal' pós-pandemia?

Eu, particularmente, acredito na segunda hipótese: um novo normal obrigatoriamente surgirá, mas a extensão da mudança dependerá de muitos fatores, como o comportamento das pessoas, as regras estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC), pelos estados e pelos municípios e a existência ou não de uma vacina para a covid-19.

Um exemplo prático: a Marcopolo, empresa brasileira fabricante de ônibus, em parceria com a Avelo, já apresentou ao mercado o BioSafe, sua proposta de veículo para transporte de passageiros agregando tecnologias como luz ultravioleta para higienização constante do ar-condicionado e um layout com três fileiras de poltronas para garantir o distanciamento, além de um sistema de limpeza automático que garante 100% de cobertura no interior do veículo (vazio, claro).



Foto: Divulgação/Marcopolo

Então, teremos mudanças em vários setores da nossa vida cotidiana, e muito do que hoje parece exceção tende a se tornar a regra. Talvez as máscaras se façam presentes nos nossos dias. Talvez sejam desenvolvidas novas formas e tecnologias de limpeza de salas e de locais públicos.

Talvez o álcool em gel ganhe espaço obrigatório nas entradas de locais públicos, nas pastas e bolsas de alunos e professores. Ou não. Neste momento, só podemos especular e observar os países que estão saindo do momento crítico para aprender com suas experiências.

Não gosto de apostar, mas diria que, na educação em geral, teremos algumas regras mais rígidas. Intervalos divididos por séries, entrada e saída separadas por cursos ou horários, turmas menores com apoio e suporte de EAD, um aprimoramento do ensino híbrido − que, aliás, sempre me pareceu o melhor modelo, especialmente para o ensino fundamental e médio.

E muito do que estamos sendo forçados a tentar, experimentar, errar e corrigir poderá estar em nosso dia a dia em breve. A educação, as escolas, os professores e os alunos vivem seu momento startup, e muito ainda poderá mudar.


* * *

César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do site Educa 2022.

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