• César Steffen

O que esperar de 2021?



Já propus que 2020 poderá ser conhecido e reconhecido como o ano da EAD. E seu impacto tem sido visto e sentido, com muitas universidades e instituições de ensino em vários níveis alterando seu planejamento e seus formatos de atuação em função das mudanças, das inovações e − por que não dizer − dos improvisos deste ano.


Isso terá, certamente, impactos em todos os aspectos do ensino, e ajustes, inovações e debates que afetarão o cenário da educação. Listo alguns dos que, imagino, estarão conosco.


- Híbrido será destaque


O formato de graduação híbrida, com encontros presenciais e a distância e com atividades mesclando presencial e on-line, estará na linha de frente das estratégias da instituições. Não somente devido à presença da covid-19 e ao atraso na vacinação, mas também por demanda dos alunos.


Aliás, o formato híbrido de livre escolha, no qual o aluno pode decidir se irá acompanhar a aula de casa, na sala da instituição de ensino − com os devidos protocolos sanitários − ou apenas assistir à aula gravada, estará na linha de frente das estratégias das universidades. Verifique na sua região quantas já anunciam formatos desse tipo. São muitas.


- EAD com crescimento ainda mais acelerado


Aquele aluno que torcia o nariz para a EAD e aquele pai que imaginava que na EAD seu filho não iria estudar descobriram, em 2020, que a EAD pode, sim, ser uma alternativa com bom atendimento e resultados.


E, se esse mesmo aluno se sentiu perdido no início, com o passar do tempo aprendeu a se organizar para atender às demandas da EAD. Ou não sobreviveu ao ano e cancelou a matrícula.


O resultado é que veremos ainda mais estudantes migrando para a EAD, que se tornará muito em breve − se já não é − a modalidade de ensino superior com maior número de matrículas no país.


- Mudanças na legislação


O crescimento do híbrido, especialmente, deve levantar o debate sobre a necessidade de mudanças e ajustes na legislação educacional brasileira.


Um exemplo: atualmente há limites para a quantidade de alunos por turma. Mas, em um formato híbrido, essa limitação faz sentido? É correto restringir o número de alunos por sala mesmo em um formato em que muitos não estarão na sala?


Essas são algumas das muitas perguntas que estarão em pauta ao longo do ano. E isso afetará, fatalmente, as estratégias de avaliação, e as regras e os formatos de ingresso, de financiamento e de fornecimento de bolsas.


Da mesma forma, podemos esperar debates sobre se os aprendizados oriundos da modalidade remota neste ano de 2020 podem indicar caminhos e soluções ou mesmo alguma inovação para os ensinos médio e fundamental. E podemos, certamente, esperar debates acalorados entre os tradicionalistas, que defenderão a sala de aula acima de tudo, e os inovadores, que estarão abertos ao novo.


- Crescimento de mestrados e doutorados em EAD


Isso já ocorre: o número de pedidos de mestrados e doutorados EAD tem aumentado, mas os processos não andaram devido à pandemia e às limitações do pessoal técnico em Brasília e das próprias questões de avaliação local.


Esteja atento, essa modalidade de mestrado e doutorado seguirá crescendo rapidamente. Não será tão rápido quanto o crescimento da graduação EAD, pois a demanda é de outra natureza e não há, pelo menos na maioria das áreas, gargalos tão claros e fortes quantos em algumas áreas da graduação. Mas ocorrerá a olhos vistos e, em 2021, começaremos a perceber esse processo em nosso entorno.


- Grandes grupos irão crescer e absorver muitos pequenos


A concentração de mercado já é uma realidade e tende a se acelerar no ano que se aproxima, pois as grandes redes caminham para obter muitos benefícios de gestão compartilhada e de divisão de resultados que as fortalecem frente a pequenas instituições locais ou regionais.


O que não significa que estas irão desaparecer, apenas irão cada vez mais se segmentar, focar em seu mercado local e no nicho de demanda da sua região, oferecendo atendimento e formatos mais personalizados.


Bem, como sabem, sou publicitário, doutor, pesquisador, professor e mais. Não sou vidente nem lanço mão de qualquer estratégia ou técnica divinatória. Apenas trago aqui o que posso analisar, observar, concluir. 2021 será um ano de muitos desafios, talvez mais e maiores que 2020. Estejamos atentos.


Finalmente, agradeço a todos que leram e acessaram este espaço em 2020 e torço para que possamos seguir juntos em 2021.


Obrigado!


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César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.


O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.