• Paulo Pinheiro

O que professores do método do caso fazem?

Atualizado: Ago 17


Foto: Christin Riume / Unsplash

Uma vez que os instrutores tenham se tornado experientes ​​nos fundamentos da discussão de casos, como eles alcançam um domínio ainda maior? Aqui cabe um pequeno parêntese. O método do caso é fácil de aplicar, mas difícil de dominar. Leva-se tempo até alcançar um certo grau de segurança. Mas as observações a seguir podem ajudar a acelerar esse processo.


Os professores especializados no método do caso estão extremamente atentos ao seu próprio papel no fluxo e refluxo da aula. Por exemplo, um instrutor pode se perguntar: "Como posso encerrar um tópico de conversa e passar para o próximo quando a discussão é especialmente animada? Que técnicas posso usar para incentivar os alunos a assumir posições diferentes sobre uma decisão complexa − e ajudar a garantir que eles considerem todas as informações apresentadas no caso?"


Os professores eficazes do método de caso estão atentos ao que estão pensando e sentindo enquanto interagem com os alunos. Eles percebem como o seu próprio estado de espírito afeta as discussões em classe. Ao focar em suas emoções e nos comportamentos que podem surgir delas, os professores podem gerenciá-los e canalizá-los melhor de forma a aumentar seu sucesso em sala de aula.


Esses instrutores se concentram ainda mais no que seus alunos estão pensando e sentindo durante as discussões de caso. Eles entendem que é fundamental criar um clima de segurança psicológica dentro e fora da sala de aula. Eles sabem, por exemplo, que muitos alunos ficam ansiosos por falar em turmas grandes e temem cometer erros na frente de seus colegas. Eles reconhecem que existem maneiras melhores e piores de responder a comentários errôneos e inadequados.

Eles também dão a cada comentário o devido valor. Seja escrevendo as observações dos alunos no quadro, pedindo a outros alunos suas reações ou mesmo simplesmente repetindo o que um aluno disse. Os instrutores do método de caso sabem como aumentar a segurança psicológica, mostrando aos alunos que suas opiniões foram ouvidas. Isso transforma a sala de aula em um fórum no qual os estudantes testam e refinam suas ideias.


Convidar à discordância isso não é ruim


Um elemento relacionado à segurança psicológica em discussões de caso envolve o estabelecimento de normas para que os alunos possam aprender como discordar de maneira agradável. A variedade de informações nos casos convida a diversos comentários sobre quais fatos são mais relevantes para resolver a situação em questão.


Um instrutor deve promover um ambiente no qual o objetivo é um diálogo, que reconhece as inconsistências e equívocos como naturais. A motivação não pode ser meramente vencer uma discussão. Essa distinção torna os alunos mais confortáveis ​​em desafiar as suposições de seus colegas, garantindo assim uma experiência de aprendizagem mais rica. Também aprimora sua capacidade como futuros líderes de trabalhar com perspectivas opostas e fazer escolhas difíceis sob incerteza.


Um investimento digno


O ensino do método de caso envolve esforço, especialmente para o novato. No entanto, o trabalho mais importante reside na mudança de mentalidade que essa abordagem exige. Para professores que estão acostumados a abordagens pedagógicas mais tradicionais, dar aos alunos uma responsabilidade maior pode parecer arriscado. O que acontece, por exemplo, se os alunos não corresponderem às expectativas? O que acontecerá se a discussão incomodar ou não despertar o engajamento dos alunos?


No entanto, há uma recompensa tangível para aqueles que se comprometem com isso: a energia e o envolvimento da sala de aula são maiores e o aprendizado do aluno aumenta tremendamente.


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Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS.


O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.