• César Steffen

O Ideb aponta caminhos



Sou gaúcho, nascido e residente, e busquei me aprofundar e compreender um pouco do que significa e como se constroem os dados o Ideb do meu estado. Apesar de não com o destaque que gostaria, a mídia local deu espaço para o tema, e permitiu acesso a muitas informações que vão um pouco além do que os relatórios apontam.

O bom desempenho do Rio Grande do Sul, acima da média brasileira nos anos iniciais do ensino fundamental, espalha-se entre escolas privadas e públicas, inclusive nas militares. Temos aí um indicativo que mostra que o modelo de gestão aplicado localmente e o envolvimento da comunidade escolar são elementos importantes para a construção de bons resultados na educação.


Trabalhar o lado humano, valorizar o professor e investir em sua qualificação, desenvolver valores junto com o conteúdo, levar a metodologia científica para as atividades e aplicar os modelos de sala de aula invertida são alguns dos elementos que aparecem como indicadores da construção de bom desempenho.


Mais de uma vez manifestei apoio à ideia das metodologias ativas e da sala de aula invertida. E fiquei feliz ao ver que muitas das escolas que se destacam no Ideb gaúcho apostam na autonomia do aluno e até mesmo em práticas que equalizam ou mesmo invertem a sala de aula.


Este sentimento se dá não somente por ver essa prática ganhando destaque e trazendo os bons resultados que acredito que ela constrói, mas também por perceber que em breve as universidades, segmento onde atuo, começarão a receber alunos acostumados e que irão demandar essas estratégias e esses formatos.


Tecnologia como coadjuvante


Permitindo-me traçar um paralelo entre a educação fundamental e a superior, chama minha atenção que, nos depoimentos e experiências narradas, fala-se em uso de tecnologia, de computadores, softwares e mais. Mas a tecnologia está lá como apoio, como coadjuvante. O cerne sempre são o professor, o aluno e a estratégias pedagógicas.


E isso me faz pensar sobre a EAD, pois reforça uma visão ainda não muito prevalente de que o foco dos processos de ensino deve ser utilizar, aplicar, maximizar os recursos dos ambientes dentro de uma estratégia pedagógica.


A tecnologia é base, nunca o centro. Ela é um meio para se estabelecer contato, para interagir, provocar, desafiar, transmitir, levar conhecimento. Mas, ainda assim, um meio. Com amplo alcance, recursos importantes e diferenciados. Mas somente um meio.

Vejo muitos professores buscando formação, pedindo esclarecimentos e até mesmo dividindo angústias em relação aos ambientes e ao uso das ferramentas. Mas eu sustento e argumento: a formação do professor deve focar o uso das linguagens e sua aplicabilidade em uma estratégia pedagógica de ensino-aprendizagem. Assim, a exploração dos recursos das plataformas será melhor, mais ampla e construirá processos de ensino-aprendizagem mais fortes.


Vejo muitos gestores e instituições preocupados em garantir a estabilidade do sistema e dos serviços on-line. Isso não está errado, lógico, um sistema instável impede uma aula. Mas muitas instituições ainda esquecem a formação didático-pedagógico do professor para utilizar, aplicar e explorar ao máximo o que o ambiente virtual oferece. E vamos de aula expositiva e PPT. E alto índices de evasão, infelizmente.


O Ideb mostra pontos positivos e pontos a melhorar não somente na educação gaúcha, mas na de todos os estados. E deve ser analisado e aproveitado por todos, de forma a extrair conhecimentos que façam a educação avançar em todos os níveis.


* * *

César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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