• Paulo Pinheiro

Aulas síncronas e assíncronas

Atualizado: Set 19


Foto: John Schnobrich/Unsplash

Cada vez mais fica claro que um cenário no qual o ensino remoto e o modelo híbrido prevaleçam será algo comum. Neste novo normal, essa parece ser a norma a ser seguida por instituições de ensino superior em todo o mundo, pelo menos em um futuro de curto e médio prazo. Porém, uma questão surgiu em função dessas mudanças: como definir qual conteúdo deve ser assíncrono e qual conteúdo deve ser síncrono?


Quem já está aplicando o modelo híbrido deve ter percebido que o tempo tela a tela é muito valioso. A dispersão entre os alunos tende a ser maior, por isso a necessidade dos educadores de pensar cuidadosamente sobre que material salvar para sessões síncronas ao vivo e qual pré-gravar para aprendizado assíncrono.


Bem, existe uma dica que vem direto do livro Teaching Effectively with Zoom, de Dan Levy. O autor dá uma dica que eu considero muito efetiva para ajudar educadores sobre como encontrar o equilíbrio certo entre conteúdo síncrono e assíncrono.


Antes de mais nada, se você já dá aulas há algum tempo, sabe em que partes do conteúdo os alunos sentem mais dificuldade. É normal, em alguns pontos do semestre, ter aulas mais densas, que requerem mais preparo tanto do aluno como do professor. Bem, esse é certamente um caso de fazer a sessão síncrona, pois é bem provável que os estudantes tenham mais dúvidas nesse determinado tópico.


Talvez existam exceções. Eu me lembro das aulas de cálculo quando cursava administração. Em nenhuma delas me parece ser possível usar sessões assíncronas. Até porque a nossa turma tinha em torno de 40 alunos. Então, depois da prova era natural que houvesse conversas sobre o resultado das questões. E existiam 40 respostas diferentes. E todas estavam erradas!

'Teste da lavanderia'


Mas voltando à dica de Dan Levy. Ele pede que os professores façam o "teste da lavanderia". O que significa isso? Ele conta que perguntou a uma aluna como ela decidiu se iria participar da aula ao vivo ou assistir à gravação mais tarde. A resposta da estudante foi absurdamente simples: “Quando estou tentando decidir, eu me pergunto: 'Esta é uma aula que eu poderia assistir enquanto estou dobrando minha roupa?' Se a resposta for sim, eu assisto à gravação. Se a resposta for não, participo da sessão ao vivo.”

Bem, e se os professores fizessem essa mesma pergunta ao planejar suas aulas? Ou seja, seus alunos poderiam dobrar roupas ao mesmo tempo em que absorvem esse conteúdo? Se esse for o caso, então a sessão assíncrona é uma solução viável. Mas, se uma atenção mais dedicada é necessária, opte pela sessão síncrona.


Como tem sido o semestre para você até agora? A sua experiência de ensino foi mais ou menos o que você planejou ou você está se adaptando a desafios inesperados? Esse tem sido um ano repleto de desafios para professores e alunos.


* * *

Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS. Atualmente trabalha como produtor de conteúdo da 818 Game Academy.


O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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