• César Steffen

EAD em momento de pandemia

Atualizado: Mai 16


Se ainda existiam dúvidas sobre a aplicabilidade da educação a distância (EAD) em várias situações e em vários níveis de ensino diferentes, elas estão sendo sanadas pelo momento atual da quarentena.

Sem a possibilidade de estar juntos fisicamente, e sem saber ao certo até quando estaremos separados, as instituições de ensino foram literalmente obrigadas a adotar a EAD em suas estratégias e não deixar de atender os estudantes.

Muitas instituições de ensino não tinham planos ou mesmo estrutura de EAD, e sequer tinham professores ou gestores capacitados ou acostumados com a EAD via plataformas de ambiente virtual de aprendizagem (AVA). O improviso e o trabalho árduo foram o tópico do momento, mas todas estão atendendo seus alunos e mantendo as atividades com a máxima qualidade e envolvimento possíveis.

Desafios


Neste aspecto, é interessante citar pesquisa da Hoper, empresa de consultoria especializada no mercado de ensino em todos os níveis, que detectou que cerca de 67% das consultadas NÃO tinham ações EAD antes da crise da covid-19. Atente para o fato de que isso não envolve somente ensino superior, mas todos os níveis de ensino.

Ou seja, dentro do universo pesquisado − que permite alguma projeção para o cenário total do país −, mais da metade das escolas e dos institutos, e até algumas faculdades, não tinham prática ou conhecimento da EAD. Imagine então a formação dos professores para atender tais demandas.

Neste aspecto, a mesma pesquisa procurou entender como os professores estão frente a este cenário. As dificuldades mais citadas pelos profissionais do ensino foram:

- Definir os conteúdos

- Ministrar as aulas

- Criar atividades e tarefas

Os mesmos responderam que entendem que “utilizar as ferramentas disponíveis” e “aplicar as ferramentas para tornar as aulas interessantes” são as maiores dificuldades com as tecnologias, e percebem que as instituições de ensino demonstravam dificuldade para “definir as tecnologias a serem utilizadas” e “atuar na formação de professores”.

Capacitação


Os gestores pesquisados citaram que a comunicação com os alunos e o atendimento via plataforma são desafios muito presentes, mas a formação e capacitação dos professores para atuar desta forma foi o item de maior destaque.

As ações e aplicações da EAD estão ocorrendo muito de forma emergencial − mas que, parece, veio para ficar, em todos os níveis. O cenário é complexo. Estamos em um momento de testes e improvisos. As instituições de ensino superior que já traziam expertises na EAD precisaram focar e reorganizar os conhecimentos. As escolas estão aprendendo, por si ou com os demais parceiros e mesmo através da busca de consultorias especializadas.

Mas a tônica que se observa é a necessidade de capacitar a estrutura, os gestores e, claro, os professores para lidar de forma rápida com a EAD em toda a sua dimensão, e ofertar aulas que encantem, conquistem e, claro, acima de tudo, ensinem.


* * *


* César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

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