• César Steffen

O ano da EAD



Na semana que passou, o Ministério da Educação (MEC) publicou a portaria 544/2020, que valida as aulas de educação a distância (EAD) em todos os níveis de ensino até o próximo dia 31 de dezembro. A portaria também flexibiliza estágios e práticas laboratoriais em alguns cursos, além de revogar as portarias 343, 345 e 473, que anteriormente definiam regras para o uso da EAD durante a quarentena.

A nova portaria foi construída pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em conjunto com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES).

Podemos quase oficialmente declarar 2020 como o ano da EAD. Se, como destacamos em artigo anterior, a EAD no ensino superior já estava em franco crescimento e mostrava que irá logo passar os cursos presenciais em quantidade de alunos, agora está onipresente em todos os níveis de ensino.

Isso tem levado ao rápido desenvolvimento de soluções e processos, com novos ambientes, métodos e ferramentas. A experimentação tem sido a prática. Como diz a sabedoria popular, “a necessidade é a mãe da invenção”, mas os resultados formais ainda precisam ser medidos e observados com atenção.

Pessoas


Como sabemos, porém, a EAD não se faz somente com tecnologia, mas, sim, com pessoas utilizando os recursos da tecnologia. Ao mesmo tempo em que sobra inovação, também fica claro o despreparo de escolas e faculdades. Nas redes sociais, há incontáveis depoimentos de professores estressados, indo muito além de sua carga horária para se preparar e dar conta dessa nova realidade. Sem contar os alunos que tiveram que se adaptar a aulas em vídeo, atividades a distância, provas na tela e mais.

Em um momento em que a pandemia parece acelerar no Brasil, e algumas regiões dão sinais de que terão picos de contaminação muito em breve − como a região metropolitana de Porto Alegre, onde resido −, a EAD se mostra como ferramenta capaz de salvar um ano que seria perdido para a educação no país. Definitivamente, algo muito pior para quem já ostenta baixos índices de desempenho como o Brasil.


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César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do site Educa 2022.

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