• Demétrio Weber

Novo ministro defende castigo para crianças


Reprodução/YouTube

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o que o pastor presbiteriano Milton Ribeiro, nomeado novo ministro da Educação, já disse sobre como criar os filhos e sobre a necessidade de castigo físico. Falando a fiéis, ele defendeu rigor e severidade por parte dos pais, já que apenas uma pequena parcela das crianças seria capaz de entender argumentos: “Talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim, mas (a criança) deve sentir dor”, diz o pastor.

O trecho desse vídeo pode ser conferido aqui. De acordo com o portal de notícias UOL, as imagens foram gravadas em abril de 2016, em um templo presbiteriano. Ribeiro é pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, em Santos (SP). Ele aparece de microfone na mão e faz uma apresentação com auxílio de PowerPoint.

O pastor exibe um slide com a seguinte mensagem: "Essa correção é necessária para a cura". Em seguida, fala:


"Não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves. Talvez uma porcentagem muito pequena de criança precoce, superdotada é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor. 'Pastor, o senhor está sendo muito antipedagógico'. Eu amo as crianças da minha igreja", diz Ribeiro.

Em outro vídeo, o pastor expõe o que considera ser o papel do homem na família: "Quando o pai é ausente dentro da casa, o inimigo ataca. Quando o pai não impõe − impõe, essa é a palavra, me desculpe, é a palavra usada − a direção que a família vai tomar. Não é que ele é o mandatário, que sabe tudo. Mas ele, o pai e o homem dentro de uma casa, segundo a Bíblia, é o cabeça dentro do lar, ele que aponta o caminho que a família vai".

Repercussão

Pelo Twitter, a presidente-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, discordou da fala de Ribeiro: "Firmeza sim, dor nunca. Há abundância de evidências científicas dos efeitos do stress tóxico em crianças, que comprometem seu desenvolvimento cognitivo, emocional, social e até físico. Como é possível defender a dor?", postou Priscila.

A líder do Psol na Câmara, deputada Fernanda Melchionna (RS), também rebateu o pastor e agora ministro: "O machismo no discurso do ministro da Educação, atribuindo papéis de gênero numa visão ultrapassada de estrutura familiar que não condiz c/a realidade, não pode nortear as políticas de EDUCAÇÃO no nosso país!"

O presidente do partido Cidadania, Roberto Freire, também se manifestou no Twitter: "Ser pastor não é o problema de Milton Ribeiro. Importa ter conhecimento técnico e 'fé' na ciência. Mas homofobia, misoginia, moralismo, machismo, minimizar feminicídio, defender castigo físico contra crianças... nada disso é compatível com o MEC ou com a vida em sociedade. A ver."

Desafios


A deputada Tábata Amaral (PDT-SP) manifestou preocupação com o fato de o presidente da República escolher o ministro da Educação "com base em critérios religiosos". Pelo Twitter, ela indicou desafios: "Ele precisará correr contra o tempo para: trabalhar pela aprovação do novo Fundeb; garantir o acesso à internet e equipamentos a todas as redes; coordenar os esforços de retomada educacional."

Em nota, o Todos pela Educação registrou a falta de experiência de Ribeiro como gestor público e indagou se ele conseguirá fazer uma gestão mais técnica. "Isso se revelará ao montar sua equipe, se promover o afastamento do olavismo e reacionarismo", diz o texto, que defende o restabelecimento "do diálogo e de uma gestão técnica". "Ou seja, exatamente o contrário do que o governo federal fez até aqui", conclui a nota.

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