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Boas práticas e casos de sucesso na educação

Os 200 anos da Independência do Brasil serão celebrados em 2022, mas somente com educação de qualidade − e para todos − é que seremos verdadeiramente livres.

 
 
  • Demétrio Weber

No Pisa, um retrato da baixa aprendizagem dos alunos brasileiros

Quase metade dos estudantes brasileiros − 43% − que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) em 2018 não atingiu a pontuação correspondente ao nível mínimo de conhecimento nas três áreas avaliadas: leitura, matemática e ciências.


O Pisa, da sigla em inglês para Programme for International Student Assessment, é aplicado a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre os 37 países que compõem a entidade, o percentual médio de alunos nessa situação ficou em 13%.


A edição de 2018 avaliou estudantes de 15 anos de idade em 79 países ou regiões, com foco em leitura. O Brasil ficou em 57º lugar (leitura), 70º (matemática) e 64º (ciências). A China, representada nas provas por alunos de quatro regiões, entre elas, Pequim e Xangai, liderou o ranking com folga.



Há quem considere injusta a comparação do desempenho escolar de estudantes brasileiros com alunos de países da OCDE, que é formada majoritariamente por nações desenvolvidas, como Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Austrália e Japão - da América Latina, fazem parte Chile, Colômbia e México.


O Brasil e outros países participam como convidados.


A OCDE divulgou também que apenas 2% dos estudantes brasileiros atingiram os níveis mais altos de pontuação (níveis 5 e 6), ante 16% na média dos países da OCDE.


Na escala do Pisa 2018, o Brasil atingiu 413 pontos em leitura (os da OCDE, 487), 384 em matemática (OCDE 489) e 404 em ciências (OCDE 489).


'Sobralizar'


O desempenho escolar dos alunos brasileiros ficou abaixo não só do rendimento dos alunos de países da OCDE, mas de outras tantas nações que, a exemplo do Brasil, não integram a entidade internacional. Em paralelo à desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, há também uma desigualdade entre países em desenvolvimento.


O que sugere a possibilidade de melhoria do sistema de ensino a partir de políticas educacionais mais eficazes, independemente de uma transformação estrutural no grau de desenvolvimento econômico do Brasil.


Atenção: não estou defendendo avanços pontuais na educação em detrimento de um projeto estrutural de desenvolvimento do país, capaz de alçar o Brasil à condição de nação desenvolvida. Apenas levanto a hipótese de que nosso atraso na educação não seja unicamente determinado pelo subdesenvolvimento econômico.


O município de Sobral, do qual já falamos bastante neste blog, é exemplo disso. Será possível 'sobralizar' o Brasil?

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Quem faz o blog

Demétrio Weber é jornalista, mestre em Direitos Humanos, Cidadania e Violência e criador do blog Educa 2022. Acredita que a educação pode mudar o mundo.

Como repórter nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, entre 1995 e 2015, especializou-se na cobertura da área de educação.

Foi assessor de imprensa e consultor da UNESCO no Brasil. 

É autor, entre outros, do Guia do Ideb da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), dos capítulos 6 e 10 do livro Políticas educacionais no Brasil − O que podemos aprender com casos reais de implementação? e da reportagem More than money, failures of U.S. schools require new strategies, publicada no site do jornal The Washington Post.