• Demétrio Weber

Na posse, ministro promete ensino laico


O novo ministro da Educação, pastor presbiteriano Milton Ribeiro. Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República

O pastor presbiteriano Milton Ribeiro, de 62 anos, tomou posse como ministro da Educação, nesta quinta-feira (16), afirmando ter compromisso com o ensino laico. "Conquanto tenha a formação religiosa, meu compromisso que assumo hoje, ao tomar posse, está bem firmado e bem localizado em valores constitucionais da laicidade do Estado e do ensino público. Assim Deus me ajude. Obrigado", foram as últimas palavras de seu discurso.

Antes ele fez referência ao teor de vídeos que circularam nas redes sociais, com trechos de suas pregações como pastor, nos últimos anos. Num dos vídeos, Ribeiro defendia castigos físicos na criação das crianças e chegava a afirmar: "Deve sentir dor." Em outro, dizia que o homem, segundo a Bíblia, "é o cabeça dentro do lar" e é quem "aponta o caminho que a família vai".

"Jamais falei em violência física na educação escolar e nunca defenderei tal prática, que faz parte de um passado que não queremos de volta", disse ele, nesta quinta-feira (16). E acrescentou: "Entretanto, vale lembrar que, devido à implementação de políticas e filosofias educacionais equivocadas, em meu entendimento, que desconstruíram a autoridade do professor em sala de aula, o que agora existe, por muitas vezes, são episódios de violência física de alguns maus alunos contra o professor", disse o novo ministro, defendendo o resgate da autoridade dos professores.

Diálogo

A posse ocorreu no Palácio do Planalto, em cerimônia fechada à imprensa e sem a presença do presidente Jair Bolsonaro, que está com covid-19 e participou por videoconferência, do Palácio da Alvorada, sua residência oficial.

Em uma mudança de tom em relação ao antecessor Abraham Weintraub, Ribeiro disse que quer dialogar com os educadores: "Queremos abrir um grande diálogo para ouvir os acadêmicos e educadores que, como eu, estão entristecidos com o que vem acontecendo com a educação em nosso país, haja vista nossos referenciais e colocações no ranking do Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes]", afirmou o novo ministro.

Ele anunciou uma de suas prioridades: "Através do incentivo a cursos profissionalizantes, desejamos que os jovens tenham uma ponte ao mercado de trabalho, uma via para que atinjam seu potencial de contribuição para o nosso país."

'Não estava tudo errado'

Um trecho do discurso de Ribeiro deve ter surpreendido apoiadores do governo Bolsonaro que não veem pontos positivos em políticas educacionais anteriores:


"Por oportuno, registro, para não ser injusto, que, ao olhar ao passado educacional do nosso país, não se pode desmerecer que grandes educadores deram legítimas e valiosas contribuições. Não estava tudo errado", disse o ministro, logo emendando: "Mas o que vemos como resultado, hoje, de políticas implementadas e que levaram ao que nós vemos nos dias de hoje, na escola, sobretudo com as nossas crianças."

Ribeiro lembrou que sua trajetória está ligada à Universidade Presbiteriana Mackenzie, da qual foi vice-reitor e reitor em exercício, entre outros cargos. Ele destacou a história da instituição de ensino, que, segundo o ministro, este ano completa 150 anos e foi "a primeira escola do Brasil a receber filhos de escravos na sua classe, nas suas aulas, e a primeira também a implantar classes mistas no ensino".

Ribeiro é doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração de Santos (SP). Ele integrava a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, cargo que deixa de ocupar.

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