• Demétrio Weber

Não faz sentido bar aberto e escola fechada

Atualizado: Fev 2


Roseann e Maria Helena. Imagem: Reprodução/SBT

Foi ao ar ontem (31) a entrevista da presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães de Castro, ao programa Poder em Foco, no SBT. Ela falou sobre a retomada das aulas presenciais, sobre ensino remoto e sobre os impactos da pandemia na educação de crianças e adolescentes, entre outros temas.


O Poder em Foco é apresentado pela competentíssima jornalista Roseann Kennedy. A convite de Roseann, tive a oportunidade de participar da entrevista.



Imagem: Reprodução/SBT

A íntegra do programa pode ser conferida aqui.


Segue resumo divulgado na página do SBT na internet.


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Por Roseann Kennedy e Renata Soares


A presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Helena Guimarães, criticou a demora de governos e de instituições privadas de ensino para decidirem pela reabertura das escolas no Brasil. "Pra mim não faz o menor sentido ter bar e shopping aberto, restaurante aberto e as escolas fechadas", afirmou, em entrevista ao Poder em Foco, no SBT, neste domingo (31).


Maria Helena Guimarães ressaltou que educação é serviço essencial e defendeu que as escolas precisam estar abertas em todos os níveis de ensino. "É mais fácil para uma escola garantir a observância de todos os protocolos sanitários, o distanciamento, uso de máscara, controlar o número de alunos por sala, do que falar para as pessoas que estão num bar ou num restaurante", complementou.


Segundo a socióloga, estudos da Fiocruz, da Unifesp e da Unesco derrubam o argumento de que a reabertura das escolas poderia aumentar a disseminação do coronavírus de forma generalizada. Apontam haver problemas por faixas etárias se não forem cumpridas as regras sanitárias.


"Onde pode ter um aumento de contaminação é em jovens acima de dezesseis anos, caso as escolas não observem as regras sanitárias e não consigam garantir que alunos mais velhos cumpram as regras", observou.


A presidente do CNE disse, ainda, que o Brasil está na contramão dos outros países e foi o que mais demorou para reabrir as escolas. "Nenhum país do mundo ficou duzentos dias com escola fechada. As evidências mostram que todos os países do mundo, os mais desenvolvidos estão voltando, os países menos desenvolvidos também. Até na África, por exemplo, que é um continente que tem pobreza muito maior do que nós aqui na América Latina, voltou às aulas e não teve aumento de contaminação", afirmou.


Para ela, o atraso nesse calendário ocorreu por causa da pressão sindical e atingiu as redes pública e privada da mesma forma. "Eles tiveram uma reação mais radical de defesa da vida. Ninguém é contra a defesa da vida, só que manter as crianças em casa, o número de mortes, com certeza, vai aumentar muito mais. Porque as crianças vão pra rua", opinou.


Maria Helena avaliou que, além do aumento do risco de contaminação, as crianças ficam vulneráveis a serem vítimas de outros problemas como envolvimento com drogas e a violência doméstica. "O pai e a mãe, para poder trabalhar, largam a criança com qualquer pessoa, ou na rua, sozinha. Então, eu acredito que não foi boa essa reação (sindical). Essa reação foi mais forte no Brasil do que em qualquer outro país, nenhum país do mundo teve uma reação sindical contra a volta às aulas, como nós observamos no Brasil", avaliou.


Desafio


"Nosso grande desafio agora não é nem garantir a educação de qualidade para todos, que é o nosso grande objetivo, é o nosso grande desejo. Mas é pelo menos garantir que os alunos permaneçam na escola", alertou.


Segundo Maria Helena, organismos internacionais trabalham com a expectativa de que a evasão escolar alcançará a média de 40% pelo mundo e o desempenho acadêmico dos estudantes vai cair acima de 30%. A recuperação do conteúdo perdido também será lenta.


"A hipótese é de que somente em julho de 2022 os alunos terão condições de começar a recuperar o que perderam em 2020", destacou.


Essas estimativas vão obrigar mudanças na forma de avaliação da qualidade do ensino e na comparação entre os países. Segundo ela, a organização do Pisa - Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes já está elaborando mudanças nos critérios que serão adotados no próximo levantamento.


No ano passado, países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciaram o adiamento da aplicação do Pisa 2021 e do Pisa 2024 por causa da pandemia do coronavírus.


Perfil


Maria Helena Guimarães assumiu o Conselho em outubro de 2020 e tem mandato de dois anos. O CNE avalia a política nacional de educação e a qualidade do ensino, além de garantir o cumprimento da legislação educacional.


Maria Helena Guimarães já foi secretária executiva do Ministério da Educação, no governo Michel Temer, e presidente do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), no Governo Fernando Henrique Cardoso. Ela é a segunda presidente mulher do CNE, em 100 anos.


O Poder em Foco vai ao ar todo domingo, logo após o Programa Silvio Santos. É apresentado por Roseann Kennedy, que semanalmente recebe um jornalista convidado. Nesta semana é o jornalista Demétrio Weber, fundador do Educa 2022.


[Texto originalmente publicado na página do SBT na internet]

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