• César Steffen

Mutatis mutandis



Tenho o prazer de ter minha mãe ainda ao meu lado, com seus 79 anos e plena saúde e lucidez. Nascida no Brasil, em tempo em que o planeta estava envolvido na Segunda Guerra Mundial, e em que as fontes de informação, entre outras, eram os livros, os jornais impressos, o rádio e a TV.

Ao longo de sua vida, ela viu a ascensão e o declínio do cinema de rua, o surgimento da TV em preto e branco e depois em cores, agora digital. Viu também o surgimento da internet, a digitalização dos livros, o surgimento dos celulares. E hoje, com as mãos já um pouco marcadas pelo tempo, opera com naturalidade um smartphone com que a presenteamos, interagindo comigo, com amigos e com familiares via WhatsApp, Facebook e outras redes sociais. E não passa um dia em que eu não receba uma notícia, uma foto ou um vídeo dela em meu celular.

Eu, com meus 48 anos, nasci quando havia apenas TV em preto e branco − aliás, vim a este mundo no dia em que era feita a primeira transmissão de TV em cores no Brasil. Vi os cinemas de rua desaparecerem, os jornais se digitalizarem, as livrarias e bancas de revistas perderem espaço para os tablets e smartphones. Joguei Telejogo, Atari, Odyssey, fliperama e vários outros games no PC e em outros consoles mais recentes. Troquei e-mails via Unix na universidade, usei MS-DOS, Windows 3.1 e 3.11, 95 e todas as atualizações que vieram depois, chegando ao Android e aos Chromebooks onde hoje escrevo este artigo.

Tudo isso para dizer que a mudança é natural, e se adaptar é nossa obrigação maior. Como disse Heráclito alguns séculos antes de Cristo, “a única coisa permanente na vida é a mudança”. Nosso mundo está em constante transformação. Para acompanhá-lo é preciso estar atento, observando, estudando, e saber “separar o joio do trigo”.

Resistir


Sim, as novidades trazem desafios, medos, incertezas e, principalmente, resistência. Sem dúvida faz parte de nossa natureza humana duvidar e resistir. Mas também buscar em nosso centro a força e o foco para desafiar, contestar, provocar e finalmente validar, ou não, esse novo.

Natural que muitos, dentro e fora do campo da educação, resistam à EAD e vejam ali uma ameaça, algo a ser evitado ou mesmo combatido, e inclusive se apeguem a erros, a fracassos e a detalhes para desqualificar e diminuir seu papel.

Mas, se a EAD cresce exponencialmente e já começa a se colocar à frente até mesmo do ensino presencial, como já afirmei em artigo anterior, não é pela pandemia, mas pela necessidade da sociedade, do dito 'mercado', que demanda as facilidades e soluções que essa modalidade oferece.

Preciso lembrar aqui − como profissional de marketing que também sou − que não existe produto sem mercado, sem consumidor. Poderia aqui citar dezenas, centenas de casos de produtos inovadores, não raro revolucionários, que fracassaram por simplesmente não encontrarem um mercado disposto a usá-los, a pagar por eles. E também não conheço uma única empresa realmente inovadora que não tenha em sua história alguns fracassos que a levaram a aprender e a seguir em frente.

Então, sim, a EAD está crescendo e naturalmente com isso crescem os problemas, os erros. Mas também crescem os aprendizados, as correções, os ajustes. E melhor e mais ajustado fica o processo.

A EAD está e estará muito mais ainda na pauta, na ordem do dia da educação. E o que estamos aprendendo irá nos ajudar a aprimorar os resultados. Em permanente mudança e adaptação, porque assim é a vida.

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