• Demétrio Weber

Morre Gilberto Dimenstein



A morte do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, de câncer, aos 63 anos, nesta sexta-feira (29/5), dá um nó no peito de uma legião de jornalistas que tiveram a oportunidade de acompanhar seu trabalho e de aprender com ele. Dimenstein deixa um legado de luta e de compromisso em defesa da educação e do desenvolvimento humano.

Na década de 1990, quando eu estava na faculdade, Dimenstein já era uma referência no jornalismo brasileiro. Ele fez sucesso cedo na carreira, cobrindo a política e o poder em Brasília. E teve sempre um olhar agudo para as mazelas do país e suas causas profundas.

Empenhado em transformar nossa realidade e munido das ferramentas do bom jornalismo a inteligência, a palavra e a perseverança −, ele trilhou um caminho interessantíssimo: deixou de lado as hardnews para se dedicar à divulgação de boas notícias, tecendo redes capazes de articular gente que, como ele, buscava soluções.

Estive poucas vezes com Dimenstein, sempre em eventos sobre educação. Lia o que ele escrevia, ouvia seus comentários na rádio CBN. Admirava-o. Hoje levei um choque ao ver a notícia de sua morte − aquele tipo de informação que não queremos ler, que só mostra como a doença e o tempo são implacáveis e como nossa aventura na vida é passageira.

Sim, eu sabia do câncer no pâncreas e tinha lido a entrevista que Dimenstein dera ao UOL, em março. Mas a gente sempre tem esperança, né?

* * *

A repercussão da morte de Dimenstein tem gerado belas e merecidas homenagens. Destaco três: um trecho da notícia sobre seu falecimento postada pela Catraca Livre, site que Dimenstein criou em 2009; um post de Geraldo Vieira Filho, o Geraldinho Vieira, ex-diretor-executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi); e a nota da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca).

Catraca Livre

"É com profunda tristeza que a Catraca Livre anuncia o falecimento de seu fundador, Gilberto Dimenstein, aos 63 anos de idade", começa a notícia postada hoje pela manhã. Em seguida, faz um resumo da sua brilhante carreira como jornalista, citando onde trabalhou e os prêmios que recebeu. E conclui:

"Mas, muito mais do que isso, Dimenstein inspirou uma legião de jornalistas, educadores e comunicadores, ávidos por Justiça, por verdade e por conhecimento. Ao nosso mestre, nosso muito obrigado."

Geraldinho Vieira


"O Brasil se despede hoje do convívio pessoal com o jornalista que muitíssimo ajudou a mudar a compreensão que temos sobre os direitos da criança no país. Gilberto Dimenstein escreveu livros que mudaram nosso olhar sobre os meninos de ruas e as meninas da noite, fundou a ANDI... Mudou a história do país... Vai estar sempre... sempre."

Jeduca

"A Jeduca recebeu hoje com imensa tristeza a notícia da morte do jornalista Gilberto Dimenstein. Gilberto foi um dos mais influentes jornalistas de sua geração, e sua dedicação aos temas sociais, entre eles a educação, inspirou e abriu caminho para o trabalho de inúmeros repórteres que, como ele, acreditam na educação como dimensão fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, próspera e democrática.

Gilberto era não apenas um jornalista excepcional, mas também um ser humano de generosidade ímpar. Foi autor, padrinho ou incentivador de diversas ações que contribuíram na prática para a redução de desigualdades e promoção da educação e da cultura no país. Entre elas se destacam a Cidade Escola Aprendiz, a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) e a Orquestra Sinfônica de Heliópolis, apenas para citar alguns exemplos.

Além de sua atuação marcante em veículos como a Folha de S. Paulo e a rádio CBN, Gilberto foi também um inovador ao criar o site Catraca Livre.

Em recente depoimento ao jornal Folha de S. Paulo, ao falar sobre sua luta contra o câncer, Gilberto comparou o mundo a um corpo humano, onde há “pessoas que espalham infecções, se xingam, se odeiam” e “há os glóbulos brancos, que não deixam o mundo acabar, que inventaram a anestesia, o antibiótico, descobriram a hélice dupla do DNA.”

Gilberto foi, sem dúvida, um glóbulo branco.

A Jeduca se solidariza com seus familiares, em especial com Anna Penido, grande jornalista de educação e fundadora do Porvir, uma das mais relevantes plataformas de conteúdo sobre inovação educacional no Brasil.

Diretoria e equipe da Jeduca"

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco

© 2020 por Educa 2022. Os textos do portal Educa 2022 podem ser reproduzidos, desde que citada a fonte "Educa 2022".