• Demétrio Weber

Limites do Pisa


O debate sobre o que se entende por qualidade da educação anda a reboque dos chamados testes padronizados. É o caso do Pisa, da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).


Basta serem divulgados os resultados, a cada três anos, para que se pinte um quadro de terra arrasada da educação brasileira.

Sem dúvida, o que não falta são problemas em nossas escolas. E o diagnóstico traçado pelo Pisa deve ser motivo de preocupação e alarme. Sim, o país terá que avançar muito para oferecer educação de qualidade para todos.

Cada vez mais, contudo, é necessário entendermos como funcionam os testes padronizados, isto é, o que exatamente eles medem e o que têm a oferecer. Em outras palavras, seus limites e possibilidades.

Aqui entramos no pantanoso território da complexidade da educação e de suas nuances, o que pode ser bastante arriscado nestes tempos de polarização, certezas e xingamentos. Por isso, é bom avisar: não sou contra testes padronizados, pois entendo que avaliações diagnósticas produzem dados extremamente úteis para o aprimoramento do ensino.

Como funciona

No Brasil, os testes mais populares são o Pisa e a Prova Brasil/Saeb, do MEC. Mas há estados que criaram e aplicam suas próprias versões desse tipo de exame.


A ideia é verificar como está a aprendizagem em larga escala. Seja dos jovens aos 15 anos de idade, como no Pisa, seja dos alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, como na Prova Brasil/Saeb.


O formato é conhecido: os estudantes respondem a um número xis de questões sobre determinadas áreas do conhecimento ou competências. O Pisa avalia leitura, matemática e ciências.

Os resultados apontam quem está abaixo ou acima do nível mínimo, quem atingiu patamares de excelência e, o mais importante, quais tópicos devem ser reforçados.


Criatividade e inovação


No livro Um mundo, uma escola A educação reinventada, Salman Khan fala dos limites da avaliação escolar tradicional sob a ótica da criatividade. Para ele, as provas escolares, assim como os testes padronizados, passam ao largo desse tipo de habilidade essencial para a inovação e para o avanço do conhecimento.


Khan considera que a intuição e a criatividade são tão necessárias para a matemática e para as engenharias quanto para as ciências humanas. Ele chama isso de arte, "algo que as provas não são muito boas em identificar ou mensurar". Nesse sentido, afirma o fundador da Khan Academy, "as habilidades e o conhecimento que os testes podem medir são meros exercícios de aquecimento".


Khan relativiza que os alunos dos Estados Unidos tenham ficado em 23º lugar, em matemática e ciências, no ranking do Pisa de 2009 (o livro foi publicado em 2012).

"Da perspectiva norte-americana, isso é inquietante; mas esses testes oferecem uma medida muito limitada do que está acontecendo no país", escreveu ele. "Deixando de lado a retórica alarmista, os Estados Unidos não estão em vias de perder sua primazia pelo simples fato de alunos da Estônia serem melhores em fatorar polinômios. Outros aspectos da cultura americana − uma combinação especial de criatividade, empreendedorismo, otimismo e capital − tornaram-na o solo mais fértil do mundo para inovação."


É preciso aprofundar o debate sobre a natureza e o alcance dos testes padronizados. Usar, da melhor maneira possível, o que eles têm a oferecer.

A educação só tem a ganhar com isso.

A educação passa por aqui.

Educa 2022

Professor que escreve uma fórmula em um

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