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Ler para (e com) as crianças ajuda cognição



Um estudo realizado em Boa Vista (RR) e publicado na revista científica norte-americana Early Childhood Research Quarterly mostra que programas bem estruturados de estímulo à leitura em casa têm impactos positivos no desenvolvimento cognitivo das crianças e na interação entre pais e filhos, inclusive em famílias com baixo nível de alfabetização.

De autoria de pesquisadores da Universidade de Nova York e do Instituto Alfa e Beto, a pesquisa analisou o impacto do programa Universidade do Bebê, que empresta livros a famílias de baixa renda e promove workshops mensais com os pais, para incentivá-los e capacitá-los a ler de maneira interativa com seus filhos. O programa Universidade do Bebê foi desenvolvido pelo Instituto Alfa e Beto em Boa Vista, em parceria com a prefeitura daquela cidade.

Pais e crianças com uma média de idade de 3 anos foram avaliados no início do programa e nove meses depois. No caso das crianças, foram utilizadas medidas para avaliar o desenvolvimento cognitivo, como testes de inteligência, aquisição de vocabulário e melhora da 'memória de trabalho' (responsável pelo armazenamento temporário de informações verbais ou visuais que são necessárias para a execução de tarefas mais complexas).

Resultados


Além de resultados positivos na interação entre pais e filhos, o programa Universidade do Bebê, conforme a pesquisa, proporcionou estimulação cognitiva nas crianças em idade pré-escolar, contrariando a hipótese de que o baixo nível de alfabetização dos pais seria associado à redução nos impactos da intervenção.

Para um dos autores do estudo, o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, três aspectos da pesquisa merecem destaque. “O primeiro é o tema: como promover a leitura interativa em famílias de baixa condição socioeconômica. Este é o primeiro estudo científico publicado sobre o tema com dados brasileiros", diz ele. "O segundo são os resultados: pais de baixo nível de escolaridade formal conseguem resultados semelhantes aos pais de maior escolaridade. Em um país em que a média de escolaridade dos pais é de sete anos, este é um dado encorajador." E conclui: "O terceiro é metodológico: trata-se de um estudo randomizado controlado, que fornece dados muito robustos.” 

Segundo João Batista, a principal mensagem do estudo é que todos os pais precisam, podem e devem apreender habilidades de interação e usá-las para promover o desenvolvimento de seus filhos de maneira mais adequada – inclusive os pais com baixa escolaridade.

“Os dados mostram que mesmo pais com baixos níveis de escolaridade e escores baixos em testes de leitura e compreensão de textos são capazes de implementar estratégias que levam a resultados positivos em seus filhos. A leitura interativa é essencial e eficaz, independentemente da condição socioeconômica e do nível de escolaridade dos pais”, completa o presidente do Instituto Alfa e Beto.


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