• César Steffen

Inovar é preciso (?)



Há instituições, especialmente de ensino superior, que já decidiram que permanecerão na educação remota, a EAD, independentemente de liberação. Buscam, com isso, oferecer uma melhor organização aos docentes, que assim podem planejar suas atividades de todo o semestre eu fui um dos que sofreram com a indefinição no primeiro semestre e garantir a segurança de sua comunidade acadêmica.


Muitos cases de sucesso, e de problemas, têm surgido e se revelado neste ambiente. Todos os sucessos envolvem, de forma maior ou menor, a combinação de três elementos essenciais: aprendizagem ativa, combinação de diferentes metodologias e espaços e ferramentas de comunicação sem barreiras, mais fluida, liberando espaços e quebrando barreiras e papéis na educação.


Combinar diferentes ferramentas e recursos pedagógicos do ambiente EAD, mas indo além, até mesmo trazendo recursos externos, oferece excelentes oportunidades de aplicação de formas e metodologias inovadoras, que podem trazer resultados surpreendentes desde que colocadas de maneira organizada e coerente.

Gamificação é o caminho? Depende. Se for aplicável aos objetivos de ensino-aprendizagem e às competências a serem desenvolvidas, pode ser um caminho muito bom. E o contrário também vale. Interessante observar que, tentando aplicar a metodologia “da moda”, muitos criaram problemas maiores, pois nem todos estão prontos e nem todos os ambientes propiciam condições para isso.


Metodologia por projetos é o caminho para inovar? Da mesma forma, isso precisa de uma análise dos objetivos, dos processos e do perfil do egresso, para verificar se as atividades e abordagens estão de acordo com o que se deseja ofertar aos estudantes.


Redes sociais são uma ferramenta aplicável? Considero, particularmente, temerário por vários fatores, entre os quais, falta de controle no acesso e ruídos do ambiente. Como forma de interação, penso que pode ser útil, mas aula é em ambiente de aula. E redes sociais não são aula.


Trazer ferramentas além do ambiente EAD é positivo? De novo, sim, pode ser, mas também pode não ser. O que vejo é que, na realidade atual, muitos têm tido pressa para fazer as coisas de formas diferentes, inovadoras e acabam não observando todas as realidades aplicáveis.


Mas levar o vetor para o lado do aluno e sua realidade é um ponto que une todas as experiências inovadoras positivas com as quais tenho travado contato nestes tempos de surpresas e atropelos. O diferencial não é a tecnologia, mas o conhecimento aplicado na tecnologia em prol dos alunos, de sua interação com o professor e entre si. Parece a mesma coisa, mas não é.


Paradigmas


Claro, cada turma, cada grupo de alunos se comporta de formas diferentes, seja no presencial ou na EAD. Mas, quando você nota que diferentes cursos em áreas de conhecimento distintas, com abordagens específicas, apontam para resultados positivos da aplicação de um mesmo recurso ou metodologia, penso que temos elementos para pensar que ali há algo sólido.


Tentar e arriscar coisas novas é preciso, necessário e talvez estejamos em um período muito propício para isso. Liberar-se de paradigmas e arriscar precisa estar na ordem do dia, sob o risco de apenas reproduzirmos e mantermos velhos formatos, em um mercado e ambiente que está mudando rápida e drasticamente. Sim, no ambiente universitário não raro os paradigmas são rígidos e formam barreiras. Superá-los é o desafio.


Erros irão acontecer? Claro que sim. Apenas para comparar, nenhuma startup unicórnio avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares chegou lá sem errar, sem problemas, sem obstáculos. Então, é preciso localizar e identificar as amarras e arriscar, recomeçando tudo se preciso. Coragem para tentar requer coragem para assumir o erro e recomeçar.


Muitos alunos ainda apresentam dificuldades frente ao remoto. Outros estão descobrindo os benefícios e as vantagens da EAD e até expressam o desejo de permanecer nesse formato. O aumento da carga horaŕia dos cursos presenciais para 40% na EAD, autorizado pelo MEC em dezembro de 2019, é algo a ser acompanhado.


Inovar e testar novos formatos é importante, mas sem esquecer que a EAD e o ensino remoto requerem pedagogia e análise. Tecnologia é consequência.


* * *

César Steffen é doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e criador da EAD sem Mistérios, plataforma que oferece cursos de formação em educação a distância para professores e gestores. Pesquisador nas áreas de comunicação, design e marketing, leciona em cursos de graduação e pós-graduação há mais de 15 anos. Atua também como avaliador do ensino superior brasileiro, integrando o Banco de Avaliadores (BASis) do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação. É autor dos livros Midiocracia: a nova face das democracias contemporâneas e Tecnologia pra quê? − Volumes 1 e 2.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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