• Demétrio Weber

Ensino remoto e educação infantil

Atualizado: Ago 12



Enquanto esquenta o debate sobre a reabertura das escolas, as crianças permanecem em casa. E o ensino remoto, especialmente no caso da educação infantil, continua desafiando famílias, professores e, claro, meninos e meninas privados há meses do convívio escolar.

O que se faz nas creches e pré-escolas, em princípio, não combina com o ensino a distância. Porque, antes de mais nada, a principal 'atividade' nos primeiros anos de vida é a socialização, a convivência e a interação que somente o estar junto é capaz de proporcionar.

Daí que educadores, pais, mães e qualquer um que seja responsável por crianças pequenas têm quebrado a cabeça para proporcionar algum tipo de atividade lúdica e instigante durante a pandemia. Jogos, brincadeiras e afazeres que não apenas entretenham as crianças, mas ajudem seu desenvolvimento afetivo, motor, cognitivo.

Qualquer coisa que compense, de alguma forma, a falta que a escola faz. Até mesmo o ensino remoto, claro. Porque há, sim, maneiras de despertar o interesse e de engajar as crianças. No caso de quem tem acesso à internet, as lives permitem ver e falar com os professores, cantar junto, ouvir histórias, fazer desfile de fantasia, desenhar, colorir, recortar e colar papéis.

Mas há limites. Crianças falando com o microfone desligado, sem ser ouvidas − tal qual ocorre com muitos adultos; a falta de formação dos professores, que estão tendo que aprender fazendo; a necessidade de alguém disponível na casa para auxiliar na conexão à aula virtual e na execução das atividades, providenciando todo tipo de material, como papel, cola, tesoura, barbante, lápis de cor, canetinhas, revistas, embalagens, tubos, etc.

Superadas essas dificuldades, há outra: as lives, invariavelmente, têm curta duração, às vezes não passam de meia hora. Por outro lado, que professor ou professora consegue manter a atenção de crianças pequenas por muito mais tempo do que isso na frente de um computador ou de um celular? Sem falar nas famílias que não têm conexão à internet.

Os desafios da educação infantil foram tema de um webinário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em julho. Houve consenso de que essa etapa da educação básica enfrenta dificuldades para cumprir seus objetivos remotamente. E que as escolas devem trabalhar para manter o vínculo com as famílias, principais aliadas, ainda mais em tempos de pandemia.

Entre muitas observações interessantes, destaco o que disse o secretário da Educação de Suzano (SP), Leandro Bassini, que vale para famílias com ou sem internet. Entre as estratégias da rede municipal, ele destacou o incentivo à leitura. Sim, ler livros infantis com as crianças. "A literatura salva", ensinou Bassini. Ótima dica.

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