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Enem tem 51,5% de abstenção


Lopes (esq.) e Ribeiro na coletiva após o primeiro dia de prova. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Por Mariana Tokarnia


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 teve abstenção de 51,5% dos candidatos inscritos, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Do total de 5.523.029 inscritos para a versão impressa do Enem, que começou a ser aplicada no domingo (17), 2.842.332 não compareceram.


Segundo o ministro da Educação, Milton Ribeiro, a abstenção recorde se deve principalmente ao medo da pandemia e a campanhas contrárias à realização do exame. Apesar disso, considerou a aplicação vitoriosa. No ano passado, a abstenção no primeiro dia do Enem foi de 23%.


“Fico satisfeito com o que fizemos no meio de uma pandemia”, disse ele. “[Quero] qualificar o Enem no meio de uma pandemia como algo vitorioso para não atrasar mais a vida de milhões de estudantes.” Em 2009, ano de aplicação do Enem com a segunda maior abstenção, a porcentagem de inscritos que não compareceram foi de 37%.

Ontem (17) foram eliminados do exame 2.967 candidatos, entre outros motivos, por não cumprirem as medidas de segurança para evitar o contágio pelo novo coronavírus, como usar máscara cobrindo a boca e o nariz durante toda a aplicação. Ao todo, 69 participantes foram afetados por questões logísticas, como emergências médicas, falta de energia elétrica, entre outros. Os dados são preliminares.


Sintomas


Nesta edição, por conta da pandemia do novo coronavírus, participantes que apresentassem sintomas da covid-19 ou de outras doenças infectocontagiosas não deveriam comparecer ao exame. Esses participantes podem acionar o Inep e solicitar a reaplicação, que será nos dias 23 e 24 de fevereiro. Até o momento, 10.171 participantes pediram reaplicação. Desse total, o Inep aceitou o pedido de 8.180.


Quem apresentou sintomas ontem (17) ou anteontem (16) pode solicitar a reaplicação, mediante a apresentação de laudo médico e documentos comprobatórios entre os dias 25 e 29 de janeiro.


O presidente do Inep, Alexandre Lopes, explicou que, a partir desta segunda-feira (18), os participantes que apresentarem sintomas devem notificar o Inep e, mesmo que tenham feito a prova no primeiro dia, não devem comparecer ao segundo dia de aplicação, que será no próximo domingo (24). Eles terão direito à reaplicação.


Reaplicação


Estudantes relataram no domingo que foram impedidos de entrar nos locais de aplicação, porque as salas estavam cheias e seria preciso respeitar o distanciamento entre os participantes. Questionado, Lopes disse que a situação está sendo apurada. Esses participantes também terão direito a fazer a prova na data da reaplicação. Segundo o presidente do Inep, esse casos foram relatados em 11 locais de prova em Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Londrina (PR), Pelotas (RS), Caxias do Sul (RS) e Canoas (RS).


Também terão direito à reaplicação os 160.548 estudantes que fariam a prova no estado do Amazonas, 2.863 em Rolim de Moura (RO) e 969 em Espigão D'Oeste (RO), por conta dos impactos da pandemia nessas localidades. Ao todo, segundo o ministro da Educação, foram quase 20 ações judiciais em todo o país contrárias à realização do Enem.


Os estudantes fizeram as provas de linguagens, ciências humanas e de redação na versão impressa do Enem. O exame segue no próximo domingo (24), quando serão aplicadas as provas de matemática e ciências da natureza. Este ano, o exame terá também uma versão on-line, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.


Edição: Aline Leal