• Demétrio Weber

Enem: novas datas dividem opiniões



O anúncio das novas datas do Enem 2020, nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021, dividiu opiniões. De um lado, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), entidade que reúne os secretários estaduais, apoiou a escolha do Ministério da Educação (MEC). Do outro, a União Nacional dos Estudantes (UNE), parlamentares e especialistas criticaram o MEC por ignorar o resultado da enquete com inscritos e por considerar que o adiamento por apenas dois meses não será suficiente para que estudantes da rede pública recuperem o tempo perdido na pandemia.

Em nota, o Consed afirmou que a "a solução encontrada é a menos danosa", considerando o desafio tanto de dar mais tempo às escolas para recuperar conteúdos quanto o de garantir o ingresso de calouros no ensino superior já no primeiro semestre de 2021. O conselho fez referência a programas de inclusão, como o Prouni − que concede bolsas a alunos da rede pública de famílias de baixa renda, com bolsas específicas também para negros que se enquadrem nos demais critérios de seleção.

"Não podemos desconsiderar toda a organização do calendário do ensino superior, afinal o resultado do Enem é usado pelo Sisu, pelo Prouni e pelo Fies, ou seja, para o acesso não apenas a instituições de ensino superior públicas, mas também a instituições privadas. Logo, afetar essa organização poderia causar ainda mais desigualdades no acesso ao ensino superior para os estudantes, especialmente da rede pública", diz trecho da nota do Consed.

As redes estaduais atendem oito em cada dez alunos do ensino médio no Brasil. O Enem 2020 estava marcado para novembro, mas foi adiado por causa do novo coronavírus. As provas da versão digital, que é inédita e será restrita a 96 mil inscritos, ocorrerão em 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

'Meritocracia à brasileira'

O ex-secretário municipal de Educação de São Paulo Alexandre Schneider condenou a escolha do MEC: "Um erro com os estudantes das escolas públicas, desconsiderados nessa decisão", postou Schneider, no Twitter. "O MEC poderia assumir a coordenação do processo e conversar com os reitores das universidades públicas para que as matrículas dos calouros fossem realizadas depois. Infelizmente preferiu lavar as mãos em relação aos estudantes das escolas públicas. Meritocracia à brasileira."

A UNE afirmou que a decisão do MEC revela "desprezo" pela opinião dos estudantes: "Não escutaram as entidades estudantis em nenhum momento e ignoraram o resultado da consulta que eles mesmos fizeram!", postou a entidade, no Twitter.

De 20 a 30 de junho, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) realizou enquete com inscritos no Enem, que puderam escolher entre três opções. O adiamento para maio de 2021 liderou, com 49,7% dos votos. A opção por janeiro de 2021, por sua vez, ficou em segundo lugar, com 35,3%, e acabou prevalecendo. A enquete era voluntária e contou com a participação de apenas 19,3% do total de inscritos.

O deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) criticou o MEC: "Como tudo nesse governo, a escolha da data do Enem foi feita de forma autoritária e sem transparência. O Inep realizou uma votação, a maioria dos estudantes elegeu o mês de maio, mas o instituto anunciou que as provas serão em janeiro, sem qualquer explicação. Lamentável", postou Freixo, no Twitter.


'Biossegurança'

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que reúne os reitores das universidades federais, divulgou nota afirmando que não se manifesta sobre a escolha das datas do Enem. A entidade expressou preocupação, contudo, com a condições sanitárias em meio à pandemia de covid-19:


"A primeira e necessária condição é justamente a biossegurança dos candidatos e profissionais envolvidos em todo o processo, sobretudo na aplicação das provas. Portanto, as autoridades têm a responsabilidade de prover os meios necessários à proteção da saúde de todos. Essa condição exige providências e constantes avaliações até o dia do exame", diz trecho da nota assinada pelo presidente da Andifes, João Carlos Salles, que é reitor da Universidade Federal da Bahia.

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