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Educação infantil: pouca leitura para as crianças


Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um estudo realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) para avaliar a qualidade da educação infantil em 12 cidades brasileiras constatou que as crianças tinham acesso livre aos livros somente em 10% das turmas observadas. Além disso, em 55% das turmas não foi observado, na rotina diária, um momento de leitura de livros de histórias para as crianças.

“Esse dado nos preocupa bastante, porque sabemos, de outros estudos, que a leitura é fundamental para o processo de leitura e escrita da criança", disse a gerente de Conhecimento Aplicado da FMCSV, Beatriz Abuchaim. "A gente encontrava livros na escola. Têm programas que compram livros e distribuem nas escolas. Os livros estão presentes nas escolas, mas essa não parece ser atividade diária nas turmas observadas.”


A pesquisa foi realizada em 2021, em 12 municípios de todas as regiões do país. No total, foram visitadas 3.467 turmas, sendo 1.683 de creche e 1.784 de pré-escola, em 1.807 unidades municipais ou conveniadas às redes administradas pelas prefeituras.


O objetivo do estudo é reunir informações sobre a qualidade da educação infantil no país. Embora os dados não sejam nacionais, segundo a gerente de Conhecimento Aplicado da FMCSV, eles mostram uma tendência da educação infantil brasileira. Ela afirmou que, ao contrário de outras etapas da educação básica, como o ensino fundamental e o ensino médio, ainda não há dados oficiais da qualidade das creches e pré-escolas.

O estudo buscou observar as práticas pedagógicas das escolas e a conclusão é que, de forma geral, o ensino ofertado é considerado regular, ou seja, o que está sendo ofertado é o mínimo e há necessidade de ações para que aquilo que está nos documentos oficiais, como a Base Nacional Comum Curricular (BCNN), seja implementado de forma satisfatória. O estudo mostra, ainda, entre outros resultados, que em 67% das turmas não há experiências com a natureza. Em 27% as crianças não têm experiências com teatro, música ou dança. Em 38%, as crianças até têm experiência com esses tipos de artes, mas sem estratégias que permitam o protagonismo delas nas atividades.

Educação infantil

Beatriz explicou, ainda, que a educação infantil é uma das etapas mais importantes da educação justamente porque é quando se constroem alicerces para o desenvolvimento do ser humano, tanto em termos pedagógicos, cognitivos, quanto das relações emocionais e sociais. “Ter boas experiências nesse início da vida faz toda diferença para esse adulto que essa criança um dia será”, salientou.

A intenção é que a pesquisa sirva de subsídio para os municípios, que são, no Brasil, os principais responsáveis pela educação infantil. Uma das questões levantadas com base nos dados é a necessidade de formação dos educadores para melhor atender à etapa.

Beatriz ressaltou, também, a necessidade da implementação da Base Nacional Comum Curricular, cujo cronograma de implementação foi atrasado por conta da pandemia. A BNCC é um documento oficial, previsto em lei, que define o mínimo que deve ser ensinado tanto nas instituições públicas quanto nos estabelecimentos privados de todo o país.


O estudo consistiu na obsevação das turmas, em um único dia, por um período de três horas e meia, nas seguintes cidades: Boa Vista (RR), Sobral (CE), Fortaleza (CE), Recife (PE), Porto Velho (RO), Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG), Suzano (SP), Rio de Janeiro (RJ), Joinville (SC) e Porto Alegre (RS).