• Demétrio Weber

E-book ensina a lecionar na EAD



O professor universitário César Steffen, colunista do Educa 2022, acaba de lançar o e-book EAD sem Mistérios: Técnicas, ferramentas e dicas que todo professor precisa para brilhar nas aulas EAD. O momento não poderia ser mais apropriado: desde que a pandemia de covid-19 levou à suspensão das aulas presenciais, professores no Brasil e no mundo se depararam com o desafio de falar diante da câmera, de interagir a distância com os estudantes e de dar vida à relação de ensino-aprendizagem mediada pela tecnologia.


Publicitário e doutor em comunicação, César leciona há mais de 15 anos em cursos de graduação e pós-graduação no Rio Grande do Sul, alternando experiências no ensino presencial e na educação a distância (EAD). O e-book, disponível na Amazon, é parte da EAD sem Mistérios, plataforma de cursos de formação para professores e gestores criada por César.


Nesta entrevista ao Educa 2022, ele fala sobre dificuldades que todo principiante enfrenta, dá dicas inclusive a quem já tem experiência e comenta algumas das características do ensino a distância, modalidade que mesmo antes da pandemia já experimentava enorme crescimento.


Quais as principais dificuldades de dar aulas a distância?

A tecnologia pode ser uma primeira barreira, mas é facilmente superada com treinamento. Noto que a ausência de contato físico, do 'olho no olho', causa incômodo e estranheza nos primeiros momentos, mas também é algo que rapidamente pode ser vencido.


Em minha experiência, a principal barreira é o uso dos recursos e linguagens das tecnologias disponíveis. Veja, o vídeo tem uma linguagem própria. O áudio, ou podcast, outra. O impresso, outra. E mesmo o vídeo de uma aula gravada ou ao vivo também mostra a necessidade de estratégias e abordagens diferentes. Isso precisa ser pensado e aplicado à luz de um objetivo, de uma estratégia de ensino e aprendizagem. E esta é uma área na qual existe pouca formação.


Quando se pensa na aprendizagem dos alunos, a EAD é capaz de conseguir os mesmos resultados que o ensino presencial?

Sem dúvida. O próprio ENADE [Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes] já mostra isso, com resultados dos alunos de cursos EAD iguais ou até superiores aos de alunos dos cursos presenciais. A diferença aqui, e isso precisa ficar claro, não está somente na modalidade, mas principalmente no perfil do aluno.


Claro que uma boa aula, bem organizada, planejada e estruturada, com bom aproveitamento dos recursos e tecnologias do ambiente EAD, é essencial, indispensável. Mas isso é uma parte do processo de aprendizagem. A outra, maior, está no lado do aluno. Costumo dizer que nem Einstein seria capaz de ensinar física a quem não deseja aprender física.


O perfil do aluno da EAD é naturalmente mais autônomo, mais independente, mais organizado e disciplinado em relação aos seus estudos. O que tende a gerar resultados melhores. Já vi isso, lecionando disciplinas com mesmo tema e foco na EAD e no presencial. O pessoal da EAD ia mais rápido e mais longe que o do presencial. E isso não é da modalidade, mas do perfil de quem estudando.



César Steffen. Foto: Divulgação

Quais as vantagens da EAD em relação ao ensino presencial?

A lista de vantagens é bem grande, mas a de desafios também. Para selecionar duas vantagens, eu penso no alcance que a EAD oferece, podendo ser um real elemento de aceleração do ensino, e na maior autonomia do estudante, que leva a um ensino mais independente e, penso eu, completo.


Quais dicas você daria aos professores que passaram a lecionar na EAD em função da pandemia de covid-19 e ainda se sentem inseguros na educação a distância?

Tenha calma. EAD é educação, é relação professor-aluno mediada por tecnologia. O papel do professor não fica menor nem perde importância. Pelo contrário, se mantém e ganha outras características. Em um momento de pandemia, estamos todos, professores, pais, alunos, especialistas, também aprendendo. O erro virá. O problema de velocidade da conexão, o sistema travando, o aluno que não sabe se portar… tudo isso vai acontecer em maior ou menor grau, com maior ou menor frequência. E teremos todos que aprender na prática, com a máquina andando. Mas estamos no mesmo barco. E todos vamos aprender juntos.


Todo professor que dá aulas no ensino presencial é capaz de lecionar na EAD?

Sim, com a devida preparação, capacitação e treinamento, é perfeitamente possível. A tecnologia evoluiu bastante e tem se tornado mais acessível. Então, mesmo pessoas com pouco contato tendem a rapidamente aprender e conseguir gerir e organizar o ambiente de ensino digital.


Claro, não é um processo que ocorra da noite para o dia, é preciso foco, atenção e investimento de tempo, para que o conhecimento se desenvolva. E mesmo professores com muita experiência na EAD às vezes se confundem ou cometem erros, especialmente frente à atualização ou a migrações de plataformas, o que é normal e até esperado.


Sei de uma instituição de ensino superior que atualmente está migrando sua plataforma de EAD. Mas o processo está sendo feito aos poucos e varia conforme as áreas de ensino. Resultado, há colegas que estão dando aulas em três plataformas diferentes ao longo da semana. Assim, lidam com três interfaces, três conjuntos de ferramentas e recursos, três lógicas de operação. É normal se confundir.


O que um professor nunca deveria fazer na EAD?

A lista aqui também é grande, e muitas coisas são iguais às do presencial. Mas eu destacaria não subestimar o aluno nem o potencial do ambiente, nunca 'puxar o freio'.

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