• Gina Vieira Ponte

Dilema das redes, a catástrofe

Atualizado: 5 de Out de 2020


Foto: Reprodução/O dilema das redes

Vi a propaganda do documentário O dilema das redes e decidi assisti-lo. Depois de vê-lo concluí que ele é muito, muito mais do que um documentário, é um manifesto, é um anúncio claro da catástrofe que está em curso − a destruição do tecido social e a degradação das democracias mundiais pela ação das redes sociais.


Os produtores decidiram mesclar dois gêneros: enquanto discutem o tema a partir de depoimentos de especialistas em tecnologia, psicólogos, sociólogos, advogados, eles apresentam paralelamente a história (uma narrativa ficcional) de uma família americana − um casal, uma jovem, um adolescente e uma criança de 11 anos. A partir do foco nessa família, vão sendo discutidos pontos relevantes como o impacto das redes sociais na saúde mental de crianças e de adolescentes, o aumento exponencial de casos de suicídio e automutilação nesse grupo e uma polarização nunca vista na história da humanidade.


Para tratar desse tema específico, eles partem dos Estados Unidos e da relação atual entre democratas e republicanos, mas, claro, trazem um exemplo dos mais contundentes: o Brasil.


O grande personagem do documentário é Tristan Harris, ex-design ético da Google. É a partir de percepções que ele teve sobre o trabalho que fez dentro da empresa que ele começa a se incomodar com o que está acontecendo no mundo. Tristan comunica com clareza e assertividade o que ele, um dos cérebros por trás de tudo o que a Google promove, percebeu em relação ao que de mais destrutivo as redes sociais têm: a partir de metas ligadas a engajamento, crescimento e propaganda, essas plataformas inseriram a manipulação no centro de tudo.


É um documentário obrigatório para quem é mãe, pai, professor, professora, para quem se preocupa minimamente com o nosso futuro. A resposta para o problema não é fácil e não é individual. Mas ela é urgente, e o próprio documentário aponta caminhos importantes.


Nós construímos essas coisas e temos a responsabilidade de modificá-las antes que elas destruam as democracias e nos destruam. Assistam, por favor. E, se já assistiram, me ajudem a pensar sobre o que podemos fazer juntos em relação ao que o documentário mostra (o documentário é original da Netflix).


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Gina Vieira Ponte é professora de língua portuguesa na rede pública do Distrito Federal, mestre em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Educação a Distância (EAD) e em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão Escolar e criadora do Projeto Mulheres Inspiradoras.

O artigo acima é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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