• César Steffen

Digitalização e continuidade

Atualizado: Nov 11



O ano de 2020 trouxe desafios não imaginados. De uma hora para outra, muitas vezes sem planejamento, muitas áreas viram suas atividades ser transformadas. Médicos atendendo pelo computador em consultórios vazios, vendedores conversando com seus clientes de casa, audiências da Justiça feitas por teleconferência e, claro, professores dando aulas de forma remota.


Tendo isso em vista, a consultoria Deloitte, em parceria com a Cisco, desenvolveu uma ampla pesquisa sobre a digitalização da sociedade, fortemente acelerada neste período, e seus impactos em diversas áreas, como educação, saúde, justiça e governo, objetivando entender os aprendizados e desafios que emergem nestes tempos.


Com dados e análises de especialistas, a pesquisa faz uma profunda análise do cenário brasileiro durante a pandemia e sobre como a tecnologia impactou e foi impactada pelos desafios surgidos. Claro, nosso foco é a educação, e o que a pesquisa mostra não chega a surpreender: explosão da EAD no setor privado e público, aplicação rápida de ferramentas tecnológicas no ensino, mas também medos e inseguranças dos professores, pais e alunos.


Um dado que chamou a atenção foi que mais de 50% dos alunos não utilizavam NENHUM tipo de tecnologia em sala de aula antes da pandemia. Frisando, pois este dado é impressionante: mais da metade dos alunos não usava nenhum tipo de tecnologia em sala de aula antes da pandemia.

Claro, é fácil imaginar o uso e a aplicação de mecanismos de busca e outros em pesquisas e atividades escolares em casa, mas a sala de aula permanece imune à computação e à internet, apesar de o uso de TIC’s ser foco da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Os poucos alunos que citaram ter acesso à rede em sala de aula sempre colocaram o smartphone como instrumento para isso.


Sem uso


Mesmo disponível, a tecnologia não era utilizada em sala de aula antes da pandemia. O ensino médio apresenta maior adesão, mas, mesmo assim, essa adesão ainda é baixa. Fica claro que os objetivos do Plano Nacional de Educação em relação à tecnologia estão atrasados.


Como também já comentamos em artigos anteriores, e nunca será demais repetir, a formação de professores para uso e aplicação das tecnologias, seja na sala de aula presencial, seja no ensino remoto ou na EAD, é um ponto fraco. O medo e a insegurança dos professores frente aos desafios das aulas remotas ou da EAD foram detectados de forma clara e transparente.


Ou seja, mesmo em um cenário onde as tecnologias estão disponíveis e podendo ser acessadas por muitos, esse acesso não ocorre por limitações e por medos de quem deve liderar o processo de educação: os professores. E a saída é capacitar para esse uso: uma capacitação que vá além do instrumental, dos softwares e dos sistemas que vá no sentido da aplicação metodológica e pedagógica da tecnologia em sala de aula e fora dela.


A pesquisa traz uma amplitude de dados que merece um olhar atento e crítico, apresentando os desafios que precisarão ser enfrentados, seja ainda com restrições pela covid-19, seja sem restrições.


Voltaremos a isso.

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