• Paulo Pinheiro

Dicas de como criar aulas participativas



Então você é professor. Deixou um texto no xerox (ou, já que vivemos em uma época de pandemia, em uma ferramenta on-line como o Google Classroom) para ser lido e discutido em sala de aula. A sua expectativa é uma aula dialogada com uma grande participação dos alunos. Mas é recebido com um silêncio implacável. Para piorar, a maioria dos estudantes confessa que sequer leu o texto. Bem, a parte mais triste dessa história é que boa parte desses problemas são culpa sua.


Mas como fazer o milagre de criar aulas participativas realmente eficientes? Ou como fazer que os alunos larguem o celular e se concentrem em sala de aula? Eu vou mostrar algumas dicas que podem ser úteis. Todas baseadas na maneira como professores de Harvard conduzem as aulas. Ou seja, o foco do aprendizado é baseado na participação. Há um problema que precisa ser resolvido e normalmente implica uma decisão a ser tomada em conjunto pela turma. Existem, é lógico, variações dentro dessa estrutura.


A questão inicial é como transformar a aula em uma conversa. Afinal de contas, essa argumentação entre pares é decisiva para solucionar o problema proposto. A palavra-chave é conversa. Os alunos não devem debater somente com você. Eles devem conversar entre eles. Para que isso aconteça, experimente não responder a todos os comentários dos alunos. Em vez disso, pergunte à classe o que eles acham do que foi dito.


Se a discussão proposta for muito grande ou muito complexa, tente dividi-la em tópicos. Crie grupos e cada um deles vai abordar um aspecto do tema. Estabeleça um tempo de trabalho. Seja rigoroso no cumprimento desse horário. Quando faltarem 30 a 40 minutos para o fim do período, peça a cada grupo que faça um relatório sobre o assunto de, no máximo, 5 minutos. O tempo restante fica para uma discussão em grupo para estabelecer uma proposta de solução para o problema.


Autoridade


Outra sugestão que normalmente gera aulas participativas é compartilhar parte da sua autoridade de professor. Isso significa pedir aos alunos que indiquem tópicos para discussão. Podem ser problemas, questões a serem esclarecidas, pontos interessantes ou ideias básicas. Escreva no quadro as indicações e deixe o grupo escolher aquelas que eles consideram mais interessantes.


Isso implica delegar aos alunos a responsabilidade de trazer perguntas para a discussão. Há um cuidado a ser tomado nesse caso. O professor precisa estar alerta para o fato de que os questionamentos precisam ser relevantes. As perguntas a ser resolvidas precisam estar conectadas com a teoria, para que exista o aprendizado.


Aliás, poucas coisas são tão importantes para gerar uma aula participativa como uma boa pergunta. Normalmente, se você pode responder ao questionamento com "sim" ou "não", "concordo" ou "discordo", ele é muito simples. É importante fazer com que o aluno se preocupe em justificar, em defender o seu ponto de vista.


Troca de experiências


É importante criar o hábito de elencar os prós e contras de uma decisão. Uma estratégia interessante é dividir a turma em dois grupos. Cada um com a missão de defender um determinado ponto de vista. Depois de um tempo, instrua os alunos a mudar de opinião durante o debate. Esse tipo de mudança pode incentivar a flexibilidade intelectual e ajudar os alunos a ampliar seus níveis de argumentação.


Existem muitos outros caminhos para se criar uma aula participativa. Mas quase sempre eles passam por uma atitude importante a ser tomada pelo próprio professor. Ele precisa entender que não é o centro da aula. Ele precisa aceitar que o conhecimento é produzido por meio da troca de experiências. Isso só é possível quando os estudantes se engajam, quando eles se sentem parte do processo de aprendizado.


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Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS. Atualmente trabalha como produtor de conteúdo da 818 Game Academy.


O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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