• Demétrio Weber

Desigualdades desafiam volta às aulas



A suspensão das aulas presenciais durante a pandemia de covid-19 ampliou desigualdades, aumentando o desafio que educadores e estudantes enfrentarão na reabertura das escolas. Eis uma das preocupações dos representantes de organismos internacionais que participaram do quinto webinário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre educação básica no último dia 9 de junho.

O chefe da área de Educação do UNICEF no Brasil, Ítalo Dutra, lembrou que o Brasil ainda convive com escolas sem banheiro, geralmente nas áreas rurais. Segundo ele, o censo escolar aponta que 5% das escolas municipais no país não têm sanitários. Outra face das iniquidades brasileiras é o fato de que muitos estudantes dependem da merenda escolar para uma alimentação adequada.


"Nosso medo, com esse fechamento prolongado, é a perda de vínculo dessas crianças e desses adolescentes com a escola", disse Ítalo. "Esse contexto de desigualdade, que já era latente nas nossas escolas, foi agudizado. Muitos alunos não conseguiram ter acesso a nenhum tipo de atividade. Será preciso ir atrás dos meninos e meninas que não voltarem para a escola."

Modelo híbrido

O especialista líder em Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Marcelo Perez, também defendeu a importância de iniciativas de busca ativa dos estudantes que não retornarem. Para ele, o ensino remoto está deixando enormes lacunas, apesar do esforço de professores e gestores Brasil afora.

Perez destacou que as disparidades refletem uma série de variáveis, como a exclusão digital e a capacidade de adaptação de cada rede de ensino à nova realidade. Sem falar nas condições de vida dos estudantes, isto é, se os alunos têm um lugar adequado para estudar em casa, se precisaram arrumar emprego para ajudar a família, se têm que cuidar dos irmãos que estão sem creche, etc.

"As expectativas de aprendizagem não vão se cumprir, e a iniquidade vai ser muito grande. É preciso entender isso para pensar de que maneira retomaremos as aulas", disse o especialista do BID.

A tendência, segundo Perez, é que as aulas presenciais passem a conviver com o ensino remoto, dando origem a um modelo híbrido de ensino: "Recuperaremos a presencialidade, mas não uma presencialidade como no período anterior. A questão é como os docentes aproveitam os dias que terão presencialmente com as turmas e como trabalham nos outros dias. A fase mais rica é a que vem agora: o que foi feito durante a fase emergencial vai tomar um significado novo."

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco

© 2020 por Educa 2022. Os textos do portal Educa 2022 podem ser reproduzidos, desde que citada a fonte "Educa 2022".