• Redação Jeduca

Desigualdade e a pandemia no mundo


Cidade na Nigéria. Foto: Ovinuchi Ejiohuo/Unsplash

Por Mariana Mandelli, especial para a Jeduca


A última sessão do 4º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, "Experiências estrangeiras da cobertura", reuniu jornalistas de diferentes partes do mundo para contar como foi seu trabalho durante a pandemia de covid-19, na última sexta-feira (23). A mesa, mediada pelo jornalista Antonio Gois, mostrou que o contexto pandêmico aproximou as realidades de países tão distintos quanto Uruguai, Nigéria e Estados Unidos, especialmente por conta das desigualdades agravadas com a crise.

Na Nigéria, o retorno às aulas aliviou as famílias que estavam enfrentando dificuldades com o ensino remoto, já que a falta de internet e de aparelhos para acompanhar as aulas presenciais foi um desafio para muitas delas. “Mesmo que as aulas sejam dadas de forma gratuita, o acesso a esses recursos tecnológicos é muito caro para as famílias. Por isso, há crianças que, desde março, não tiveram nenhuma educação formal”, afirmou Adie Vanessa Offiong, jornalista freelancer de Abuja, capital nigeriana.

Além dos custos, na Nigéria há questões sérias de infraestrutura. Segundo Vanessa, mesmo com acesso a rádios, um equipamento mais barato do que computadores, as quedas de energia atrapalharam muitos alunos na hora de manter uma relação com a escola.

“Muitas escolas públicas precisam ser avaliadas para sabermos se elas podem reabrir e se atendem às diretrizes. O governo não avaliou todas, então esse é um debate que está acontecendo agora”, disse Vanessa.

A realidade norte-americana não é diferente, segundo Daarel Burnette, jornalista do veículo independente especializado Education Week. De acordo com ele, o ensino remoto nos EUA tem sido “lastimável”, o que judicializou a questão, pois muitas crianças que já tinham histórico de exclusão e dificuldades de aprendizagem estão mais excluídas na pandemia.

“Há uma imensa indústria jurídica relacionada aos resultados acadêmicos de estudantes negros. Vários processos estão ocorrendo alegando violações à Constituição, já que o direito à educação não está sendo atendido”, disse Daarel. Nos EUA, o retorno às aulas presenciais é uma decisão que compete a cada estado da federação – ou seja, enquanto alguns reabriram as escolas, outros seguem com os colégios fechados.

Ele lembrou que os estudantes negros geralmente frequentam grandes escolas em zonas urbanas, justamente onde a pandemia tem feito mais vítimas no país. “Muita gente conhece alguém que morreu com covid-19. Tudo isso afetou muito as comunidades. Essas escolas foram fechadas, então o impacto nessas crianças é enorme”, ressaltou.

Riscos


No Uruguai, os alunos mais vulneráveis também foram os mais prejudicados.  “Os estudantes mais ricos conseguiram manter a educação virtual. Agora, com a volta às aulas, também são eles que mais frequentam as aulas presenciais”, ressaltou Leticia Castro.

Segundo ela, o Uruguai, um dos primeiros países da América Latina a reabrir as unidades de ensino, voltou recentemente a distribuir merenda escolar como forma de atrair as crianças mais pobres para a escola novamente, já que muitas dependem dessas refeições diariamente.

“Não ir para a escola é mais perigoso do que ir. Os riscos de abandono escolar para a saúde das crianças é muito grande, e muitos dados mostram isso”, pontuou, citando que o Uruguai tem uma taxa de transmissão muito baixa do vírus no momento.

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