• Demétrio Weber

Depois da pandemia

Atualizado: Ago 1



A educação não será mais a mesma após a pandemia de covid-19. À medida que as redes de ensino começam a se preparar para a retomada das aulas presenciais, claro está que o ensino remoto continuará fazendo parte da rotina de professores e estudantes. Afinal, a reabertura das escolas será gradual e, enquanto uma parcela dos alunos estiver em sala, outra permanecerá em casa, aprendendo pela internet, pelo celular, pela TV, pelo rádio ou por apostilas.

Ainda estamos para conhecer as consequências da covid-19 sobre o atual ano letivo. Após a pandemia escancarar desigualdades de acesso à internet e dificuldades de toda ordem para que crianças e adolescentes estudem em casa, não será supresa se as avaliações diagnósticas − a ser realizadas tão logo os alunos retornem às aulas presenciais − revelem enormes disparidades de aprendizagem.

Uma das possibilidades é fundir o ano letivo de 2020 com o de 2021, de maneira que ambos passem a compor um ciclo. Eventuais reprovações de alunos seriam deixadas para o final do ciclo, isto é, quando 2021 terminar. Assim, as escolas teriam melhores condições de recuperar o tempo perdido.


No caso dos alunos do último ano do ensino médio, redes estaduais como a de São Paulo e a do Maranhão já anunciaram a intenção de criar um quarto ano, com matrículas voluntárias.

Tudo vai depender, claro, da evolução da pandemia e da efetiva reabertura das escolas. Seja como for, o ensino caminha para um formato híbrido, combinando aulas presenciais e atividades remotas.

Infantil


Na educação infantil, há desafios adicionais. Após quase quatro meses sem aulas, cresce o número de escolas particulares que fecham as portas, devido à perda de alunos e de receitas. Em geral, são os estabelecimentos de menor porte os que sucumbem primeiro. Pesa o fato de que as crianças tendem a se engajar menos no ensino remoto, o que pode contribuir para a decisão de muitos pais. Além disso, a matrícula em creches não é sequer obrigatória.

De acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), de 30% a 50% das escolas privadas de educação básica (infantil, fundamental e médio) no estado estão sob risco de fechamento. Não à toa, o sindicato pressiona o governo estadual a antecipar a reabertura anunciada para 8 de setembro.

Em todo o Brasil, o setor privado é responsável por 27% das matrículas na educação infantil, o que corresponde a 2,5 milhões de crianças. Caso haja migração para a rede pública, como as prefeituras farão para atender essa nova demanda?

Sem dúvida, as consequências da pandemia na educação vão muito além de 2020.


* * *


Demétrio Weber é jornalista e criador do Educa 2022.


Artigo originalmente publicado na plataforma Canguru News.

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco
  • Branca Ícone Instagram

© 2020 por Educa 2022. Os textos do portal Educa 2022 podem ser reproduzidos, desde que citada a fonte "Educa 2022".