• Paulo Pinheiro

Professores e alunos, o pacto

Atualizado: Nov 10



A confiança é um elemento crucial no ensino − ela é capaz de gerar relacionamentos que criam laços entre educadores e alunos e que facilitam o aprendizado e o crescimento. Isso contrasta com as relações contratuais, nas quais as pessoas interagem em uma base puramente transacional − ou seja, os alunos estudam para passar no curso e receber boas notas. Quando existe uma aliança, entretanto, ela pode transformar os relacionamentos.


O valor dos pactos é melhor examinado pela perspectiva dos líderes e professores. Os professores podem aprender muito examinando o que acontece quando os líderes firmam acordos poderosos com seus funcionários, bem como as consequências negativas das relações puramente contratuais.


Existem, de fato, muitos paralelos entre líderes e professores.


Os melhores líderes e professores são especialistas em ouvir com atenção, comunicam-se com empatia e motivam com habilidade. Líderes centralizadores, que não abrem mão do controle, e professores rigorosos com punições são estereótipos do passado. Hoje, líderes e professores precisam se relacionar com seus públicos, influenciando as ações em vez de ditá-las. Ambos devem ser corajosos o suficiente para se tornarem vulneráveis ​​e admitirem seus erros.

Os professores lideram e os líderes ensinam. Pense em como os professores modelam comportamentos que desejam que os alunos adotem, como se motivam contando histórias, como tomam decisões que afetam todos os alunos. Da mesma forma, os líderes se tornaram professores em ambientes centrados no conhecimento; eles não podem apenas dizer às pessoas o que fazer, mas devem ajudá-las a adquirir ideias, informações e habilidades para que possam ser funcionários mais inovadores e ágeis.


Finalmente, os melhores professores e líderes constroem relacionamentos. Conforme as organizações se achataram e se afastaram do modelo da pirâmide, os líderes reconheceram o valor da construção de relacionamentos. Quando os líderes criam relacionamentos significativos com seu pessoal, eles também criam lealdade e um ambiente no qual os funcionários se sentem seguros o suficiente para se arriscar e sugerir ideias inovadoras e, às vezes, disruptivas.


Os professores também aprenderam que não devem apenas falar para os alunos, mas falar com eles. Criar confiança e ajudar os alunos a aprender e a crescer são responsabilidades críticas, fundamentais, decisivas dos professores.


Desde o primeiro momento na sala de aula, os professores podem começar a lançar as bases para criar um pacto com os alunos − um relacionamento no qual o aluno desenvolve uma espécie de fé no professor e o professor retribui com conexões baseadas na confiança para os alunos. Eu gostaria de explicar mais sobre como se tornar esse tipo de professor, incluindo dicas para se preparar para uma aula baseada na confiança. Mas, primeiro, vamos discutir por que esses pactos realmente importam e como eles diferem das relações contratuais.

Por que os pactos são importantes


Para um professor, uma das primeiras missões em sala de aula é criar um ambiente no qual os alunos saibam que existe uma preocupação honesta e verdadeira com o aprendizado deles. Por que esse relacionamento de aliança é importante? Existem três dimensões nesta importante relação de sala de aula:


1) Os alunos devem saber que estão em mãos seguras, competentes e compreensivas. É importante que os alunos tenham fé no processo de aprendizagem, que, com o tempo, aumenta em entusiasmo e densidade. Eles devem se sentir seguros e saber que o professor está pensando na aula noite e dia, que criar o melhor ambiente de ensino é uma prioridade.


2) Os alunos precisam saber que os professores se preocupam com eles e com seu trabalho. Eles aprendem isso por meio de feedback, interações em sala de aula e observando suas interações com seus colegas. É uma obrigação do professor fazer um esforço para ajudar os alunos a sentir que estão em um ambiente seguro de aprendizagem.


3) Os alunos devem sentir que estão aprendendo, crescendo e se desenvolvendo. Eles precisam saber que estão sendo pressionados e desafiados com novos conhecimentos, que suas suposições estão sendo testadas e que devem adquirir novos conhecimentos sobre si mesmos.


Essa abordagem tridimensional deve ser utilizada no preparo e desenvolvimento de materiais de sala de aula, bem como da definição do plano de ensino.


Na coluna da semana que vem, pretendo mostrar o motivo pelo qual os pactos são importantes e dar dicas de como estabelecer essa aliança com os alunos.


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Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS. Atualmente trabalha como produtor de conteúdo da 818 Game Academy.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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