• Paulo Pinheiro

Como usar o modelo híbrido

Atualizado: Set 7


Foto: Paul Hanaoka/Unsplash

Se você tem filhos na escola já foi bombardeado com a expressão 'ensino híbrido'. De uma hora para outra, ela virou moda e se transformou em uma espécie de tábua de salvação para o tumultuado ano letivo de 2020. Bem, essa metodologia de aprendizagem pode ser uma grande aliada de professores e estudantes. Mas precisa ser aplicada corretamente.


O ensino híbrido mistura aulas on-line com aulas presenciais. A ideia central é intercalar conteúdos que sejam complementares. É como se fosse o melhor de dois mundos. Existe uma personalização do ensino com o uso de ferramentas digitais e uma experiência de troca de ideias e debate nos encontros físicos.


A chave para que essa metodologia obtenha os melhores resultados, considerando que vamos alternar entre dois modelos distintos, se baseia em uma reestruturação do conteúdo. Também é importante notar que em muitos casos serão necessárias adaptações, e uma transposição pura e simples do material de uma aula presencial tende a não funcionar.


Eis algumas dicas para quem está começando no modelo híbrido:


1) Concentre-se na preparação


Quando você estiver planejando seu semestre, sempre se pergunte: "O que meus alunos estão fazendo para se preparar para a aula?" É importante garantir que os estudantes recebam uma quantidade deliberada de trabalho de preparação. Não precisa ser muito, apenas significativo o suficiente para permitir que eles venham para a aula e se sintam confiantes para debater. Esse é um ponto fulcral para gerar engajamento. Com isso, aumentam as chances de surgir uma conversa dinâmica na qual eles façam as perguntas que realmente precisam de uma resposta. Quando você pensa sobre a preparação, imagine todos os tipos de coisas que você pode pedir para que os estudantes façam: há o material tradicional, como artigos acadêmicos, notícias e livros on-line, mas você também pode misturá-lo com jogos e competições (uma ferramenta útil nesse sentido é o Kahoot).


2) Quebre o conteúdo e use diversas ferramentas


Divida sua aula em diferentes partes e tente mantê-la em movimento. Por exemplo, se o seu período tem 50 minutos, divida a aula em 5 atividades de 10 minutos. Comece um com um PowerPoint, use o chat, aproveite documentos compartilhados para trabalhos em grupo, passe um vídeo e assim por diante.

3) Formar conexões continua sendo essencial


O ideal seria manter os alunos discutindo o conteúdo apresentado depois da aula. É um objetivo a ser perseguido. Fazer isso no mundo on-line é relativamente simples. Use alguma plataforma de chat para distribuir algum material complementar e seguir ampliando as reflexões da aula. Se isso não for possível, não se esqueça de começar a próxima aula recapitulando os tópicos da anterior.

4) Não atribua muita leitura


Sim, a preparação é essencial. Porém, lembre-se de que PDFs podem ser cansativos para os olhos. Prefira textos menores.

5) Não se preocupe tanto com a tecnologia


É bom experimentar novas ferramentas de ensino. O momento é oportuno para aprender, mas o ideal é fazer isso de forma gradual. É um período excelente para testes. Veja o que funciona com a sua turma. No meio de um ano tão complicado, lembre-se que, às vezes, a simplicidade é o melhor caminho.

6) Concentre-se no essencial


Se você estiver realmente obtendo sucesso com os alunos em um modelo híbrido, o conteúdo previsto pode começar a atrasar. Isso é normal até certo ponto. Existe, é claro, o risco de o professor considerar outras formas de entregar o conteúdo, pois pode chegar a um ponto em que seria impossível vencer tudo o que foi previsto em um contrato pedagógico. A verdade é que não dá para pensar que ainda estamos em 2018 ou em 2019, quando a realidade do mundo era outra. Então, concentre-se no essencial, para que os alunos se sintam satisfeitos e sejam capazes de absorver o que há de mais importante.


Por fim, não se esqueça de que cada turma pode reagir de forma diferente a cada proposta pedagógica. Cabe ao professor descobrir junto com os alunos os ajustes necessários para que o modelo híbrido obtenha os melhores resultados.


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Paulo Pinheiro é doutor em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e instrutor do método do caso, com formação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Professor há mais de 15 anos, lecionou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Sul) e na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Sua tese de doutorado trata de algoritmos e comunicação. Como jornalista, trabalhou no ZH Digital, embrião do atual clicRBS; coordenou o setor de comunicação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers); e foi editor de capa do portal ClicRBS e do portal Terra. É graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e bacharel em direito pela PUC-RS. Atualmente trabalha como produtor de conteúdo da 818 Game Academy. O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

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