• Jornal da USP

Como transformar pesquisas em negócios?


Novo núcleo quer aliar formação técnica e visão empreendedora – Foto: Pexels

Como a maior parte dos dilemas da vida acadêmica, o Núcleo de Formação de Empresas e Empreendedores da USP (Nidus) surgiu de uma questão: que fazer com doutores, mestres e até mesmo graduados, recém-titulados, que possuem uma pesquisa com potencial de inovação, mas se formaram em um grupo sem a cultura necessária para levar produtos e serviços ao mercado?


Para estimular a inovação e criar pontes entre a academia e empresas, a Universidade de São Paulo dispõe de uma série de ações e programas que estimulam o empreendedorismo no ambiente universitário, como parques tecnológicos, aceleradoras e incubadoras.


Atualmente, as incubadoras têm permitido acelerar o processo de aplicação de tecnologias, mas a seleção exige um certo grau de maturidade do produto ou serviço. Uma característica que, muitas vezes, não permite o enquadramento do portador da ideia em sistemas estabelecidos de modelagem de um negócio. Falta uma etapa anterior.


Vendo nesta lacuna uma oportunidade de estimular a criação de serviços, produtos e negócios inovadores, o InovaUSPcentro de pesquisa e inovação da USP -, através do Nidus, quer atuar capacitando profissionais e abrigando suas ideias em um hostel de projetos. Aliando formação técnica e visão empreendedora, o núcleo deve iniciar suas atividades no próximo mês de abril, na construção de um programa de residência em inovação com a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP.


De acordo com o coordenador do núcleo, Norberto Peporine Lopes, a iniciativa permitirá o amadurecimento das ideias dos alunos em um sistema de avaliação e tutoria, com previsão de 12 meses de duração. O objetivo é reter talentos formados na Universidade e atrair potenciais inovadores de fora para conviverem no mesmo ambiente.


“A academia, no Brasil, ainda está em fase de preparação para a inovação. A descoberta, em si, não é uma inovação. Inovação é quando começamos a ter valor comercial agregado. Durante um tempo, o objetivo de um pesquisador era fazer patente, mas nos laboratórios sempre surgem excelentes ideias que, com o devido direcionamento, podem chegar ao mercado”, afirma Lopes.

Membro da Academia Brasileira de Ciências e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP em Ribeirão Preto, Lopes fala com orgulho de ter visto o nascimento de pelo menos seis empresas de seus ex-alunos, tendo ajudado a transformarem suas ideias em negócios. Dois exemplos são a Decoy Smart Control, startup brasileira de biotecnologia que cresceu 437% no ano passado e foi destaque da revista Forbes, e a Lychnoflora, que acaba de assinar o contrato com a USP e a Prefeitura de Municipal de Ribeirão Preto para ser a primeira empresa a construir no parque tecnológico da cidade, o Supera Parque.


Formação e visão


Formação técnica aliada a uma visão inovadora figuram como alternativa para alavancar o empreendedorismo e sustentar a demanda de desenvolvimento de projetos que ainda estão numa fase anterior à incubação. Apoiando-se na formação individual, a atuação do Nidus deverá se pautar na criação de um programa de residência em inovação e acolher iniciativas como o Programa de Pós-Doutoramento em Inovação, em desenvolvimento no Instituto de Estudos Avançados da USP.


Recentemente oficializado pela Reitoria, o núcleo pretende oferecer a residência sob o modelo de atividade de extensão, em parceria com a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU). O núcleo terá sede no prédio do InovaUSP, no campus da capital, mas deverá articular ações em todos os campi da USP no interior do Estado.


“Estamos focados no indivíduo, neste momento. O interessado entra com o CPF, adquire um número USP e recebe uma formação mais ampla em inovação. Neste processo, poderá aproveitar o ambiente da Universidade para então surgir uma empresa nascente e constituir um novo CNPJ. Também existe a possibilidade do ingresso de empresas já fundadas diretamente no sistema de hostel”, explica Lopes.

Na Universidade, o Nidus pretende distribuir os alunos entre as diferentes disciplinas, laboratórios, organizações e programas que atuam com desenvolvimento e inovação no âmbito da USP. Além disso, a tutoria servirá como forma de avaliação do perfil do empreendedor, oferecendo suporte e consultoria ao aluno e direcionando-o para projetos de pesquisa inovativa em pequenas empresas ou para criação de empresas com DNA USP.