• Redação Jeduca

Começa o 4º Congresso da Jeduca


Por Mariana Mandelli, especial para a Jeduca


Os impactos da crise sanitária desencadeada pela pandemia de covid-19 sobre o jornalismo, as medidas adotadas por estados e municípios para dar conta do ensino remoto e as perspectivas para 2021 na educação foram temas das mesas do primeiro dia do 4.º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação da Jeduca, na segunda-feira (19). O evento vai até 23 de outubro, é on-line e gratuito.


Conheça a programação, inscreva-se e acompanhe as mesas aqui.

Abertura: negacionismo, desinformação e jornalismo


 A imprensa cumpriu seu papel de trazer informações claras sobre o novo coronavírus, mesmo quando ainda havia poucos dados sobre a covid-19. Porém, apesar do empenho de profissionais e empresas de comunicação no enfrentamento da pandemia, foram vários os percalços enfrentados por essa cobertura – os quais, na verdade, remetem a dificuldades que veículos e repórteres enfrentam desde o início do governo Bolsonaro.

Este foi o eixo do debate da mesa de abertura do 4.º Congresso da Jeduca, "A credibilidade do jornalismo em tempos de coronavírus”, com mediação do jornalista Fabio Takahashi (Folha de S.Paulo e presidente da Jeduca) e participação de Cristina Tardáguila (IFCN e Lupa), Flavia Lima (ombudsman da Folha de S.Paulo) e Fernando de Barros e Silva (Foro de Teresina – revista Piauí).

“Houve um esforço genuíno e didático para falar sobre as formas de transmissão da doença, as condições de trabalho dos profissionais de saúde e dos hospitais, e também sobre o drama das pessoas”, destacou Flavia Lima, lembrando que muitos repórteres acabam se expondo ao vírus durante pautas externas.

A boa cobertura também foi exemplificada pelo consórcio formado pelos maiores veículos de comunicação do país, com o objetivo de divulgar os números corretos de vítimas e casos. Para Fernando de Barros e Silva, essa foi uma maneira do jornalismo ocupar o vácuo deixado pelo governo federal na crise. “O Jornal Nacional funcionou como uma espécie de Ministério da Saúde nos primeiros meses da pandemia”, disse Barros e Silva.

Bolsonaro e as fake news


O aumento no volume de mentiras que passaram a circular nas redes sociais sobre o coronavírus foi, segundo Cristina Tardáguila, outra forma de mostrar como o bom jornalismo pode sair fortalecido desse cenário. “A covid-19 deu um empurrão enorme para o universo do fact-checking. Ficou claro que não é algo só do universo político, pois foi indispensável na pandemia, chamando a atenção das grandes plataformas digitais, como o Facebook”, afirmou ela.

O jornalismo declaratório, prática recorrente no hard news, foi citado como uma dessas armadilhas, especialmente quando governantes são fonte de desinformação. “A imprensa não aprendeu a lidar com esse tipo de líder. Os jornais têm dificuldade de chamar mentira pelo nome”, ressaltou Flavia.

Fernando Barros e Silva lembrou que o momento é grave não só por uma questão de saúde pública, mas pelas ameaças à democracia brasileira. “Estamos caminhando para uma certa debilidade, com dificuldades econômicas que impactam o trabalho das redações, somadas a um contexto de desinformação nas plataformas digitais”, disse ele.

Para Barros e Silva, se não houvesse o coronavírus, talvez o jornalismo fosse menos antagônico ao governo Bolsonaro: “A pandemia deu uma boa razão, uma oportunidade incontornável de confrontar o governo.”

Novos modelos


Embora o enfrentamento desse contexto de desinformação, negacionismo e enfraquecimento da democracia seja bastante complexo, os jornalistas defenderam que o jornalismo crítico deve ser reforçado e procurar novas formas de se fazer valer em meio à população.


(Confira informações sobre a segunda mesa do primeiro dia do Congresso no próximo post)

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