• Demétrio Weber

Cai Decotelli



Cinco dias após ser nomeado ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva pediu demissão nesta terça-feira (30) − antes mesmo de tomar posse.

Decotelli caiu depois de uma sucessão de revelações sobre sua formação acadêmica, a começar pelo desmentido público da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, que informou que o novo ministro não era doutor pela instituição − ao contrário do que dizia seu currículo.

Depois veio a denúncia de plágio em sua dissertação de mestrado profissional na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seguida do desmentido de outra universidade no exterior, dessa vez a Bergische Universitat Wuppertal, na Alemanha − que também negou que Decotelli tivesse feito pós-doutorado na instituição.

'Equívoco'

Diante dos desmentidos, Decotelli alterou seu currículo na plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na segunda-feira (29), reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro e saiu do Palácio do Planalto afirmando que continuava no cargo.

Na mesma noite, Bolsonaro postou mensagem de apoio ao ministro em sua conta no Facebook, afirmando também que Decotelli estava "ciente de seu equívoco" e que o ministro não pretendia ser "um problema para a sua pasta (Governo)".

Confira a mensagem de Bolsonaro:

"- Desde quando anunciei o nome do Professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez.

- Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério.

- O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco.

- Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos."

Na tarde desta terça-feira (30), Decotteli confirmou à imprensa que pediu demissão.

Generais

O imbróglio envolvendo a nomeação e exoneração de Decotelli gerou mal-estar no Palácio do Planalto. Pelo Twitter, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, responsável pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), postou:


"Aos desinformados: o GSI/ABIN examinam, sobre quem vai ocupar cargos no Governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de Ministros, cada um é responsável pelo seu currículo."

Sucessor(a)

O governo procura agora um novo titular para o MEC. Será o quarto nome em um ano e meio de mandato.


O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da esfera estadual, quer que o próximo ministro seja uma pessoa de diálogo e com capacidade de gestão. Em nota, o conselho afirma que "não há mais espaço para erros nem experimentos".

Confira a integra:

"O Conselho Nacional de Secretários de Educação espera que o nome a ser escolhido para o MEC seja de bom diálogo e com capacidade de gestão, apto a conduzir a Educação Brasileira de forma sintonizada com os anseios da sociedade. Mais do que nunca, após um ano e meio de espera por resultados que não chegam, o critério técnico deve prevalecer nessa escolha. Não há mais espaço para erros nem experimentos."

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