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Menos de 1 computador por 4 alunos


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Mariana Tokarnia


As escolas brasileiras têm, em média, menos de um computador para cada quatro estudantes de 15 anos. Essa situação deixa o país em penúltimo lugar em um ranking de 78 países e regiões com respostas para esta questão, conforme o quinto volume de análise dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018, divulgado na terça-feira (29) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 


Aplicado a cada três anos, o Pisa avalia o desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Além das provas, as escolas respondem a questionários que ajudam a entender melhor a situação de cada país participante. Na última avaliação, de 2018, foram 79 países e regiões. O estudo Políticas Eficazes, Escolas de Sucesso é o quinto de seis volumes previstos com análises dos resultados do Pisa.   


De acordo com o relatório, em média, os países da OCDE possuem cerca de um computador por estudante para fins educacionais. Países como Áustria, Islândia, Luxemburgo, Macau (China), Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos possuem até mesmo mais de um computador, chegando a uma média de 1,25 ou mais aparelho por estudante de 15 anos.


Na outra ponta, em países como Albânia, Brasil, Grécia, Kosovo, Montenegro, Marrocos, Turquia e Vietnã, havia apenas um computador ou menos disponível para cada quatro alunos. 


O estudo mostra que a relação entre um melhor desempenho dos estudantes e a disponibilidade de computadores varia. Nem sempre estudantes com maior acesso vão melhor nas provas. Mas, no Brasil, assim como, por exemplo, na Estônia, no Cazaquistão, na Malásia, na Nova Zelândia e na Ucrânia, estudantes de escolas com mais computadores pontuaram mais em leitura.


Desigualdades 


Apesar de os resultados serem anteriores à pandemia do novo coronavírus, de acordo com a OCDE, já é possível notar desigualdades que podem ter impactado o ensino neste período. Em média, entre os países da OCDE, 27% dos estudantes estavam matriculados em escolas cujos diretores relataram que a aprendizagem é prejudicada pela falta de professores e de pessoal. "Aqueles que podiam, continuaram ensinando e aprendendo on-line; aqueles que não tinham computadores ou acesso à internet tiveram mais dificuldade", diz o texto. 


Segundo o relatório, garantir que todas as escolas tenham recursos adequados e de alta qualidade, e o apoio apropriado, é fundamental para que os alunos de todas as origens tenham oportunidades iguais de aprender e de ter sucesso na escola.


Os resultados mostram que, em casa, assim como na escola, o ambiente de estudos nem sempre favorece a aprendizagem. Em média, entre os países da OCDE, 9% dos estudantes de 15 anos não têm um lugar silencioso para estudar. Essas porcentagens variam entre os países. Na Indonésia, Filipinas e Tailândia, por exemplo, mais de 30% dos alunos não têm um local para estudar.


O estudo remoto, que passou a ser amplamente difundido por conta do fechamento das escolas na pandemia, requer também, muitas vezes, um computador. Enquanto na Áustria, Dinamarca, Islândia, Lituânia, Holanda, Noruega, Polônia, Eslovênia e Suíça mais de 95% dos alunos relataram que têm um computador em casa para usar nos trabalhos escolares, essa porcentagem é de 34% entre os alunos na Indonésia. 


Já a conexão da Internet varia entre estudantes com maiores vantagens e desvantagens econômicas. Essas porcentagens chegam, no México, a 94% dos estudantes com maiores vantagens econômicas com acesso à internet contra apenas 29% daqueles economicamente em desvantagem. 


Pisa 2018


O Pisa 2018 foi aplicado em 79 países e regiões para 600 mil estudantes de 15 anos. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas. O Brasil teve uma leve melhora nas pontuações de leitura, matemática e ciências, mas apenas 2 a cada 100 estudantes atingiram os melhores desempenhos em pelo menos uma das disciplinas avaliadas


O desempenho na avaliação posicionou o Brasil no 57ª lugar entre os 77 países e regiões com notas disponíveis em leitura, na 70ª posição em matemática e na 64ª posição em ciências, junto com Peru e Argentina, em um ranking com 78 países. China e Singapura lideram os rankings das três disciplinas. O Brasil, nas três, fica atrás de países latino-americanos como Costa Rica, Chile e México. Supera, no entanto, Colômbia e Peru em leitura e a Argentina em leitura e matemática. 

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