• João Batista Oliveira

As habilidades socioemocionais

Atualizado: Ago 18



Este é o quarto post da série 'Redescobrindo as funções da escola em tempos de covid-19 (leia os anteriores aqui, aqui e aqui).

A epidemia do coronavírus fez a sociedade sentir falta – ou até mesmo saudades – da escola. Isso vale para os pais, mas também para as crianças e jovens. Quem diria! Mas isso tem a ver com o tema tratado no post anterior e continuado neste: as escolas são instituições fundamentais para promover o desenvolvimento social e emocional das crianças e dos jovens. No futuro, poderão ser substituídas, inclusive pelo ensino a distância e pelo homeschooling. Mas, por mais de 20 séculos, elas têm conseguido cumprir esse papel.

Um estudo recente realizado pelo CDC – Center for Diseases Control and Prevention [Centros de Controle e Prevenção de Doenças] dos Estados Unidos – organizou as informações sobre esses aspectos importantes da ecologia da aprendizagem. Eis uma breve síntese:

– As escolas promovem um contexto para as crianças interagirem socialmente – o que é essencial para o desenvolvimento da linguagem, da comunicação e das habilidades sociais, emocionais e interpessoais.

– Estando nas escolas, as crianças e jovens têm mais oportunidade de desenvolver e manter amizades, aprender a comportar-se em grupos, interagir com adultos fora de sua família.

– Também nas escolas as crianças e os jovens têm acesso a sistemas de apoio que lhes permitem reconhecer e gerenciar suas emoções, estabelecer metas e lutar por elas, apreciar a perspectiva do colega, tomar decisões que levam a consequências.

– Esse contexto ajuda a formar conexões que geram uma segurança e estabilidade, e contribuem para o bem-estar.

– A escola também promove, direta ou indiretamente, um mecanismo para regular o sono e as rotinas domésticas, bem como atividades físicas essenciais para o desenvolvimento de crianças e jovens.

– Tudo isso pode ser ainda muito mais relevante para crianças e jovens com dificuldades especiais e que encontram na escola recursos para apoiá-los de maneira mais eficaz.

Finalmente, a ausência prolongada da escola pode aumentar a exposição das crianças e dos jovens a situações de violência e risco. Casos de violência doméstica são frequentemente detectados nas escolas mais do que em qualquer outro lugar. A merenda escolar também constitui, para muitas crianças, um complemento ou mais que isso de suas necessidades alimentares.


(Artigo originalmente publicado no blog Educação em Evidência.)


* * *


João Batista Oliveira é psicólogo e Ph.D. em Educação pela Florida State University (1973). Pós-doutorado e Visiting Scholar da Graduate School of Business, Stanford University (1977-1978). Professor universitário no Brasil (UFMG, COPPEAD/UFRJ) e na França (Université de Bourgogne, Dijon). Em 2016, recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Publicou dezenas de artigos científicos em revistas nacionais e internacionais, bem como livros técnicos e outros voltados para políticas públicas. Foi diretor do Ipea e secretário executivo do MEC. Trabalhou como funcionário do Banco Mundial, em Washington, e da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra. Em 2006, criou o Instituto Alfa e Beto, que se dedica a promover o conceito de educação baseada em evidências e tem foco em intervenções voltadas para a educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, com ênfase na alfabetização e na leitura.

O artigo acima é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a visão do Educa 2022.

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco
  • Branca Ícone Instagram

© 2020 por Educa 2022. Os textos do portal Educa 2022 podem ser reproduzidos, desde que citada a fonte "Educa 2022".